A Proibição de Burqa em França ou o Redespertar da Discriminação Contra os Muçulmanos?
“Quero dizer solenemente que a burqa não é bem-vinda no nosso território”, disse Sarkozy, antes de defender um debate sobre o assunto. “E que melhor lugar do que o Parlamento para o fazer? Não devemos ter vergonha dos nossos valores e não devemos ter medo de os defender”.
“A burqa vai contra a ideia da República Francesa sobre a dignidade da mulher.” Nicolas Sarkozy
Enquanto as manifestações de repúdio pelo desenrolar do processo eleitoral Iraniano continuam a abrir os noticiários e a preencherem uma boa porção de editoriais e colunas de opinião nesta parte do mundo, um outro assunto ombreou, no destaque, com a situação na terra dos ayatollahs, falo do debate em torno da proibição ou não da burqa em França, apimentada pela posição favorável do Presidente Francês, Nicolas Sarkozy, pela proibição. No fundo, entendo o Presidente Francês e todos os que no seu país optam pela oposição a citada vestimenta, dado que o Islam é a religião em maior crescimento na Europa, principalemente na França dada ao seu 'pecado' imperial no norte e oriente de África, onde a maior parte da população professa a religião do Profeta Muhammad (que a paz esteja com Ele). Digo que entendo porque a melhor forma de travar tal crescimento é fazer com os muçulmanos se sintam alienados e marginalizados na sociedade que ajudaram a construir e a desenvolver, pois sabe-se que muitos destes muçulmanos foram parar a Europa a convite dos locais para preencherem a falta de mão-de-obra local. O que não entendo é que os ocidentais, os apelidados civilizados e democráticos, possam criticar a censura, a imposição de códigos de vestuário noutras paragens, e se 'esfolem' para defenderem os sagrados valores da liberdade de expressão, opinião e religião. Por isso resolvi trazer este tema para que juntos reflictamos e possamos nos perguntar, se as freiras podem vestir hábitos e não serem vistas como submissas e exploradas, porque é que as muçulmanas mais recatadas não têm o direito de vestir a roupa que melhor condiz com a sua fé? O Senhor Sarkozy e os seus pares preferem um país cheio de mulheres em bikini ou vestidas decentemente? Lembram-se como era a cidade de Maputo antes do advento da televisão e das telenovelas brasileiras?
Antes de explorar o tema, é preciso lembrar que a burqa ou burca é uma veste feminina que cobre todo o corpo, até o rosto e os olhos. É usada pelas mulheres do Afeganistão e do Paquistão, em áreas próximas à fronteira com o Afeganistão e também na Arábia Saudita e alguns lugares remotos do Médio Oriente. O seu uso deve-se ao facto de muitos muçulmanos acreditarem que o livro sagrado islâmico, o Alcorão, e o Hadith (ditos do Profeta), exigem a homens e mulheres que se vistam e comportem modestamente em público. No entanto, esta exigência, chamada hijab, tem sido interpretada de diversas maneiras pelos estudiosos islâmicos (ulema) e comunidades muçulmanas; porém um facto: a burqa não é especificamente mencionada no Alcorão.
Só para dar uma ideia do que dizia atrás sobre o crescimento dos muçulmanos na Europa, calcula-se que existam na União Europeia mais de 16 milhões de muçulmanos (3,4% da população). A França conta com mais de 7 milhões, cerca de 10% da sua população. Segue-se a Holanda (5,5% - 886 mil), Alemanha (4,9%- 4 milhões), Austria (4,1%- 339 mil), Grécia (4,1% - 450 mil), Suécia (3,9% -350 mil), Bélgica (3,5%- 364 mil), Reino Unido (2,7% -1,6 milhões), Espanha (2,4% -1 milhão), etc. A primeira vez que os europeus se confrontaram com os muçulmanos foi quando estes os invadiram no século VII, três séculos depois da derrocada do Império Romano. A expansão do islamismo começou pela Europa Ocidental (Península Ibérica). Nesta região europeia acabaram por ser dominados (1492), mas tiveram melhor sorte no sudoeste da Europa (Balcãs), onde são maioritários em países como a Albânia e a Bósnia, mas também muito significativos na Macedónia, Montenegro, Bulgária, Chipre, etc. A Europa afirmou-se durante quase dois mil como um continente de povos cristãos. Não admira que as guerras entre cristãos e muçulmanos tenham sido uma constante entre os séculos VIII e o século XVIII, quando os últimos deixaram constituir uma séria ameaça. O poder dos europeus mostrou-se capaz de derrotar as investidas muçulmanas, e em particular do Império Otomano (Turco). Onde reside hoje o pavor que os europeus experimentam face aos muçulmanos? É difícil tipificar as principais as razões destes medos, tão diversificadas elas se apresentam.
Após a IIª. Guerra Mundial, iniciou-se a imigração de muçulmanos para os países europeus. A partir dos anos 80 do século XX, o seu número tornou-se muito significativo em alguns países europeus. A maioria provém das suas antigas colónias ou antigos aliados de guerra. Em França, o número de muçulmanos não para de aumentar, constituindo já hoje cerca de 10% da população. A maioria são argelinos, marroquinos, tunisinos e libaneses. Há quem denomine o fenómeno da imigrição dos muçulmanos para Europa como Bomba Demográfica Islâmica, pois teme-se que em um futuro próxima haja cidades europeias habitadas apenas por populações muçulmanas, o exemplo de Leicester na Inglaterra é sintomático, pois acredita-se que em 2025 a maioria da população local seja muçulmana. Nestes e outros países os conflitos racistas e de xenofobia tem vindo a aumentar dado ao 'nervosismo' de verem valores importados prevalecerem na sua terra natal.
Voltando à questão da burqa em França, o presidente da Assembleia Nacional, Bernard Accoyer anunciou que uma missão parlamentar de 32 deputados de todos os partidos franceses analisará a eventual proibição da burqa na França. Os parlamentares trabalharão a partir de julho e durante seis meses na questão, que, nos últimos dias, causou polêmica na França e que, na segunda-feira, foi mencionada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, em seu discurso diante do Congresso reunido em Versalhes. Ele disse que a veste "não é bem-vinda em território da República" francesa, deixando claro que, para ele, o acessório não é um símbolo religioso, mas "de servidão". A declaração de Sarkozy reavivou uma polêmica sobre o véu islâmico, datada de 2004. Na época, em razão do véu, foi aprovada uma lei que proíbe o uso de qualquer símbolo religioso em locais públicos, especialmente em escolas.
“A burqa vai contra a ideia da República Francesa sobre a dignidade da mulher.” Nicolas Sarkozy
Enquanto as manifestações de repúdio pelo desenrolar do processo eleitoral Iraniano continuam a abrir os noticiários e a preencherem uma boa porção de editoriais e colunas de opinião nesta parte do mundo, um outro assunto ombreou, no destaque, com a situação na terra dos ayatollahs, falo do debate em torno da proibição ou não da burqa em França, apimentada pela posição favorável do Presidente Francês, Nicolas Sarkozy, pela proibição. No fundo, entendo o Presidente Francês e todos os que no seu país optam pela oposição a citada vestimenta, dado que o Islam é a religião em maior crescimento na Europa, principalemente na França dada ao seu 'pecado' imperial no norte e oriente de África, onde a maior parte da população professa a religião do Profeta Muhammad (que a paz esteja com Ele). Digo que entendo porque a melhor forma de travar tal crescimento é fazer com os muçulmanos se sintam alienados e marginalizados na sociedade que ajudaram a construir e a desenvolver, pois sabe-se que muitos destes muçulmanos foram parar a Europa a convite dos locais para preencherem a falta de mão-de-obra local. O que não entendo é que os ocidentais, os apelidados civilizados e democráticos, possam criticar a censura, a imposição de códigos de vestuário noutras paragens, e se 'esfolem' para defenderem os sagrados valores da liberdade de expressão, opinião e religião. Por isso resolvi trazer este tema para que juntos reflictamos e possamos nos perguntar, se as freiras podem vestir hábitos e não serem vistas como submissas e exploradas, porque é que as muçulmanas mais recatadas não têm o direito de vestir a roupa que melhor condiz com a sua fé? O Senhor Sarkozy e os seus pares preferem um país cheio de mulheres em bikini ou vestidas decentemente? Lembram-se como era a cidade de Maputo antes do advento da televisão e das telenovelas brasileiras?
Antes de explorar o tema, é preciso lembrar que a burqa ou burca é uma veste feminina que cobre todo o corpo, até o rosto e os olhos. É usada pelas mulheres do Afeganistão e do Paquistão, em áreas próximas à fronteira com o Afeganistão e também na Arábia Saudita e alguns lugares remotos do Médio Oriente. O seu uso deve-se ao facto de muitos muçulmanos acreditarem que o livro sagrado islâmico, o Alcorão, e o Hadith (ditos do Profeta), exigem a homens e mulheres que se vistam e comportem modestamente em público. No entanto, esta exigência, chamada hijab, tem sido interpretada de diversas maneiras pelos estudiosos islâmicos (ulema) e comunidades muçulmanas; porém um facto: a burqa não é especificamente mencionada no Alcorão.
Só para dar uma ideia do que dizia atrás sobre o crescimento dos muçulmanos na Europa, calcula-se que existam na União Europeia mais de 16 milhões de muçulmanos (3,4% da população). A França conta com mais de 7 milhões, cerca de 10% da sua população. Segue-se a Holanda (5,5% - 886 mil), Alemanha (4,9%- 4 milhões), Austria (4,1%- 339 mil), Grécia (4,1% - 450 mil), Suécia (3,9% -350 mil), Bélgica (3,5%- 364 mil), Reino Unido (2,7% -1,6 milhões), Espanha (2,4% -1 milhão), etc. A primeira vez que os europeus se confrontaram com os muçulmanos foi quando estes os invadiram no século VII, três séculos depois da derrocada do Império Romano. A expansão do islamismo começou pela Europa Ocidental (Península Ibérica). Nesta região europeia acabaram por ser dominados (1492), mas tiveram melhor sorte no sudoeste da Europa (Balcãs), onde são maioritários em países como a Albânia e a Bósnia, mas também muito significativos na Macedónia, Montenegro, Bulgária, Chipre, etc. A Europa afirmou-se durante quase dois mil como um continente de povos cristãos. Não admira que as guerras entre cristãos e muçulmanos tenham sido uma constante entre os séculos VIII e o século XVIII, quando os últimos deixaram constituir uma séria ameaça. O poder dos europeus mostrou-se capaz de derrotar as investidas muçulmanas, e em particular do Império Otomano (Turco). Onde reside hoje o pavor que os europeus experimentam face aos muçulmanos? É difícil tipificar as principais as razões destes medos, tão diversificadas elas se apresentam.
Após a IIª. Guerra Mundial, iniciou-se a imigração de muçulmanos para os países europeus. A partir dos anos 80 do século XX, o seu número tornou-se muito significativo em alguns países europeus. A maioria provém das suas antigas colónias ou antigos aliados de guerra. Em França, o número de muçulmanos não para de aumentar, constituindo já hoje cerca de 10% da população. A maioria são argelinos, marroquinos, tunisinos e libaneses. Há quem denomine o fenómeno da imigrição dos muçulmanos para Europa como Bomba Demográfica Islâmica, pois teme-se que em um futuro próxima haja cidades europeias habitadas apenas por populações muçulmanas, o exemplo de Leicester na Inglaterra é sintomático, pois acredita-se que em 2025 a maioria da população local seja muçulmana. Nestes e outros países os conflitos racistas e de xenofobia tem vindo a aumentar dado ao 'nervosismo' de verem valores importados prevalecerem na sua terra natal.
Voltando à questão da burqa em França, o presidente da Assembleia Nacional, Bernard Accoyer anunciou que uma missão parlamentar de 32 deputados de todos os partidos franceses analisará a eventual proibição da burqa na França. Os parlamentares trabalharão a partir de julho e durante seis meses na questão, que, nos últimos dias, causou polêmica na França e que, na segunda-feira, foi mencionada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, em seu discurso diante do Congresso reunido em Versalhes. Ele disse que a veste "não é bem-vinda em território da República" francesa, deixando claro que, para ele, o acessório não é um símbolo religioso, mas "de servidão". A declaração de Sarkozy reavivou uma polêmica sobre o véu islâmico, datada de 2004. Na época, em razão do véu, foi aprovada uma lei que proíbe o uso de qualquer símbolo religioso em locais públicos, especialmente em escolas.
A questão da burka provocou um debate entre os defensores das liberdades individuais e os que consideram que estas podem ser limitadas em nome da laicidade. A manifestação do presidente reflete também a preocupação na França com o crescimento da população muçulmana do país. Depois do lançamento da iniciativa dos deputados, o porta-voz do governo, Luc Chatel, admitiu que o governo não exclui a possibilidade de uma lei para proibir o uso de burqa, caso o inquérito venha a concluir que o traje feminino é "contrário aos princípios republicanos". A secretária de Estado Fadela Amara defendeu igualmente uma lei proibitiva, afirmando: "É preciso que o actual debate conduza a uma lei que proteja as mulheres". O ministro da Imigração, pelo contrário, não considera "oportuno relançar uma polémica" sobre os símbolos religosos, recordando o debate sobre o uso de véu nos espaços públicos e na escola. "A lei enuncia um conjunto de regras sobre viver em conjunto. Foi encontrado um equilíbrio em França e seria perigoso pô-lo em causa", afirmou Eric Besson. A secretária-geral do PS, Martine Aubry, pediu que sejam evitadas soluções "simplistas" sobre o véu integral. "Naturalmente que somos contra a burka, mas o que desejo antes de mais é que nos concentremos na inserção destas populações", explicou.
Mas, o que me faz confusão é que entre poucos milhões de muçulmanos que vivem em França, o uso de burqa verificar-se numa pequena minoria e sobretudo nos subúrbios de grandes cidades. Portanto, se no passado todos os símbolos religiosos foram declarados proibidos em escolas e espaços públicos, neste caso o alvo é apenas uma vestimenta muçulmana e tenho certeza que não tem nada a ver com "valores republicanos", mas sim com o facto de se acreditar que o crescente número de imigrantes muçulmanos estarem a ser um factor de deterioração da crise económica que afecta que afecta a França e que estes estejam a 'usurpar' os empregos dos locais.
Por outro lado, a hipocrisia humana me faz alguma confusão. Quando as mulheres 'são' obrigadas a terem um código de vestuário, por exemplo, na Arábia Saudita ou no Irão, os europeus vêm e criticam esta situação, dizendo que é contra a liberdade de ela poder escolher a roupa que queira vestir e que isso significa submissão. Agora, se ela se veste de um modo que 'envergonhe' a imoralidade, se apressam a introduzir regras que proibam tais vestimentas, depois pergunto: onde está a liberdade de poder escolher o que vestir? Onde está a democracia de a pessoa poder se sentir livre e poder se sentir igual a outro comparando as suas diferenças? Já perguntaram as mulhres que vestem a burqa em sociedades chamadas de livres, ou seja, Europa, se o fazem obrigada ou por fé?
Enfim, na terra do Liberté, Egalité, Fraternité o que se pretende realmente, meus caros amigos, é esmagar a cultura diferente que invadiu o seu país. E como os novos tempos dificultam o chauvinismo extremo, à cópia da solução final de Hitler, buscam tornar o mais difícil possível a vida destes imigrantes, na esperança de que eles ou se submetam à lavagem cultural ou se ponham ao fresco. O resto é conversa para nós podermos escrever artigos como este.
Mas, o que me faz confusão é que entre poucos milhões de muçulmanos que vivem em França, o uso de burqa verificar-se numa pequena minoria e sobretudo nos subúrbios de grandes cidades. Portanto, se no passado todos os símbolos religiosos foram declarados proibidos em escolas e espaços públicos, neste caso o alvo é apenas uma vestimenta muçulmana e tenho certeza que não tem nada a ver com "valores republicanos", mas sim com o facto de se acreditar que o crescente número de imigrantes muçulmanos estarem a ser um factor de deterioração da crise económica que afecta que afecta a França e que estes estejam a 'usurpar' os empregos dos locais.
Por outro lado, a hipocrisia humana me faz alguma confusão. Quando as mulheres 'são' obrigadas a terem um código de vestuário, por exemplo, na Arábia Saudita ou no Irão, os europeus vêm e criticam esta situação, dizendo que é contra a liberdade de ela poder escolher a roupa que queira vestir e que isso significa submissão. Agora, se ela se veste de um modo que 'envergonhe' a imoralidade, se apressam a introduzir regras que proibam tais vestimentas, depois pergunto: onde está a liberdade de poder escolher o que vestir? Onde está a democracia de a pessoa poder se sentir livre e poder se sentir igual a outro comparando as suas diferenças? Já perguntaram as mulhres que vestem a burqa em sociedades chamadas de livres, ou seja, Europa, se o fazem obrigada ou por fé?
Enfim, na terra do Liberté, Egalité, Fraternité o que se pretende realmente, meus caros amigos, é esmagar a cultura diferente que invadiu o seu país. E como os novos tempos dificultam o chauvinismo extremo, à cópia da solução final de Hitler, buscam tornar o mais difícil possível a vida destes imigrantes, na esperança de que eles ou se submetam à lavagem cultural ou se ponham ao fresco. O resto é conversa para nós podermos escrever artigos como este.
PS: deixo um cumprimento de saudação à todo humano que se identifique com a Pátria Amada pela passagem do 25 de Junho, dia do nkhululeko, como diria a minha falecida tia!
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