A Propósito de Durban II: Porque é que os Racistas não aceitam ser chamados como tais?


“Após a II Guerra Mundial, sob pretexto de sofrimentos de judeus e a questão ambígua e duvidosa do Holocausto, um grupo de países poderosos recorreu à agressão militar para fazer de uma nação inteira uma população sem abrigo; eles enviaram migrantes da Europa, dos Estados Unidos e de outros lugares para estabelecer um governo totalmente racista na Palestina ocupada”, Presidente Mahmoud Ahmadinejad, do Irão, discursando no 1º dia da Conferência sobre o racismo em Genebra, 20 de Abril de 2009


A minha querida mãe, de quem tenho muitas saudades, me disse um dia, sabiamente, que os que reagem aos insultos e ou nomes que alegamente lhes são imputados é porque a “carapuça serviu” de outro modo reagiriam com indiferença por saber que a razão lhes assiste. Isto acontecia quando em criança me diziam, na escola ou na rua, que por ser mulato eu não tinha bandeira e eu chorava. Então, quando minha mãe me mostrou que as cinco cores nacionais são tanto minhas como para qualquer outro cidadão que nasceu entre o Rovuma e o Maputo, passei a ignorar esses epitetos de “sem bandeira” porque as mesmas não eram e nem são verdades, aliás, por causa disso, na minha secretária, no meu carro ou onde for possível transporto a “minha bandeira”. Esta toda história vem a propósito do discurso do Presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, durante o primeiro dia da Conferência sobre o Racismo a decorrer em Genebra até ao dia 24 corrente e que é famosamente chamada de Durban II por rever os documentos e as decisões tomadas na cidade sul-africana de Durban aquando da 1ª Conferência sobre a matéria em 2001. Não vou escrever o que aconteceu depois de Ahmadinejad ter dito o que disse porque é já do domínio público. Todavia, julguei interessante estar no lado do elo mais fraco e procurar perceber se o que estadista iraniano falava eram mera provocação ou tinham algum fundamento. Neste exercício, me dei comigo a pensar que crimes cometidos pelo nazismo na europa contra os judeus foram terríveis, não há dúvida, assim como são terriveis os crimes que hoje são cometidos pelo estado de Israel contra o povo palestiniano e a recente guerra de 22 dias em Gaza ainda está na memória de todos, fiz uma pesquisa e cheguei aos factos abaixo.
1. Na Polônia foi construído pelos nazistas o famigerado “Gueto de Varsóvia”, com seus muros altos, separando os judeus dos não-judeus, hoje esse muro foi reerguido em Israel e está novamente separar os Judeus dos não-judeus, só que desta vez de foma irônica, são os próprios judeus que o erguem para se “defenderem” dos palestinianos. Ou seja, os perseguidos de ontem se tornaram nos perseguidores de hoje, não é isto racismo?

2. Os próximos três parágrafos são da responsabilidade de Yonatan Mendel, na altura em que escreveu o artigo “Vocabulário do jornalismo israelita” a 10 de Junho de 2008 era correspondente da agência noticiosa israelita Walla. O artigo completo está disponível em: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=489JDB008
Yendel diz:

a) Se as palavras ocupação, apartheid e racismo (sem falar em cidadãos palestinos de Israel, bantustões, limpeza étnica e Nakba ["catástrofe", a palavra com a qual os palestinos se referem à criação de Israel, em 1948]) estão ausentes do discurso israelita, os cidadãos de Israel podem passar a vida inteira sem saber com o que estão convivendo. Por exemplo, racismo (Giz’anut, em hebraico). Se o Parlamento israelita legisla que 13% das terras do país só podem ser vendidas para judeus, então ele é um Parlamento racista. Se em sessenta anos o país só teve um ministro árabe, então Israel tem tido governos racistas. Se, em sessenta anos de manifestações, balas de borracha e munição de verdade só foram usadas contra manifestantes árabes, então Israel tem uma polícia racista. Se 75% dos israelitas admitem que se recusariam a ter um árabe como vizinho, então é uma sociedade racista. Ao não reconhecer que Israel é um lugar onde o racismo molda as relações entre judeus e árabes, os judeus israelitas se tornam incapazes de lidar com o problema, ou mesmo com a realidade das suas próprias vidas.

b) A mesma negação da realidade está refletida na recusa ao termo apartheid. Devido à sua associação com a África do Sul branca, os israelitas acham muito duro usar a palavra. Isso não quer dizer que exatamente o mesmo tipo de regime vigore hoje nos territórios ocupados, mas um país não precisa ter bancos de praça "apenas para brancos" para ser um Estado que pratica o apartheid. Afinal, apartheid significa "separação", e, se nos territórios ocupados os colonos têm uma estrada, e os palestinos precisam usar estradas alternativas ou túneis, então é um sistema rodoviário de apartheid. Se o muro de separação construído sobre centenas de hectares de terra confiscada na Cisjordânia separa as pessoas (inclusive palestinos de ambos os lados do muro), então é um muro de apartheid. Se nos territórios ocupados há dois Judiciários, um para colonos judeus e outro para os palestinos, então é uma Justiça de apartheid.

c) Há também os próprios territórios ocupados. Notavelmente, não há territórios ocupados em Israel. O termo é ocasionalmente usado por algum colunista ou político de esquerda, mas no noticiário ele inexiste. No passado, foram chamados de territórios administrados, para esconder o fato real da ocupação. Foram então chamados de Judéia e Samaria. E, na grande imprensa israelita de hoje, são chamados de os territórios (Ha-Shtachim). O termo ajuda a preservar a noção de que os judeus são as vítimas, o povo que age apenas em autodefesa, a metade moral da equação, e que os palestinos são os agressores, os caras ruins, as pessoas que lutam por razão nenhuma. O exemplo mais simples explica isso: "Um cidadão dos territórios foi apanhado contrabandeando armas ilegais." Poderia fazer sentido que os cidadãos de um território ocupado tentassem resistir ao ocupante, mas não faz sentido se eles forem apenas dos territórios.

Estes parágrafos, escritos por alguém que conhece a realidade israelita, demonstra, claramente, que Ahmadenejad pode ter tido razão em chamar racista o estado de Israel. Por outro lado, é conhecida a negação do Holocausto por este presidente, eu não alinho na mesma dimensão, embora considere que os números apresentados são um tanto ou quanto exagerados. Aliás, dados da escola revisionista (a que nega o Holocausto) sustenta que os números são mesmo exagerados. Aliás, há um episódio, no mínimo suspeito, que pode nos ajudar a clarificar esta situação. Diz-se que durante décadas, foi em um memorial em homenagem às vítimas do holocausto afirmado que quatro milhões de pessoas tinham sido genocidamente mortas em Auschwitz. Até 3 de Abril de 1990, esta Placa “comemorativa” - onde o Papa e presidentes de muitas nações foram levados de modo a poderem genoflectir perante vítimas não-existentes, tinha a seguinte inscrição em 19 línguas:

“Quatro milhões de pessoas sofreram e morreram aqui às mãos dos assassinos Nazis entre os anos 1940 e 1945.”

Durante quase meio século, aproximadamente 500,000 turistas acreditaram naquelas palavras que estavam longe de constituir a verdade, dado que depois daquela data o parque tema em Auschwitz e Birkenau, o citado memorial passou a ostentar um novo texto:

“Que este lugar onde os Nazis assassinaram 1,500,000 homens, mulheres e crianças, de que a maioria eram Judeus de diversos países Europeus, seja para sempre para a humanidade um grito de desespero e de aviso.”

Todos nós somos agora a perguntar: Porque é que baixaram os números? De acordo com com as fontes disponíveis (veja por exemplo: http://www.zundelsite.org/foreign/portug3.html)

“…propositadamente elevaram o número de baixas não-Judias em Auschwitz-Birkenau muitas vezes o número real. Com o fim do comunismo na Polónia e na antiga União Soviética, oficiais no museu de Auschwitz baixaram meticulosamente os números de baixas de acordo com as estimativas de historiadores que, durante anos, insistiram que pereceram entre um e um milhão e meio de pessoas em Auschwitz-Birkenau – 80-90% dos quais Judeus. Na verdade, e após uma intensiva campanha de cartas iniciada pela Equipa Zündel e dirigida ao antigo presidente soviético Mikhael Gorbachev há poucos anos, os Soviéticos finalmente libertaram os restantes Livros da Morte de Auschwitz, que tinham capturado em 1945. Neste, os estimados “quatro milhões”, revistos para “milhão e meio,” encolheram para 74,000 mortes confirmadas! Todas meticulosamente registadas – nome, data, nacionalidade, religião, hora, razão e causa da morte!”

O pesquisador Alemão Tjudar Rudolf, que é fluente em Alemão, Inglês, Francês, Yeddish e Polaco e compreende muitos dos nomes e línguas eslavas, percorreu penosamente todos esses livros Soviéticos-Auschwitz de registos de mortes e totalizou o número de mortes Judias de acordo com nome e religião – mesmo contando com nomes eslavos. De tudo o que se pode saber hoje, de acordo com a análise apurada deste pesquisador, cerca de 30,000 Judeus perderam então as vidas, principalmente de doenças e sobrelotação, em Auschwitz e campos de trabalho em volta afiliados com o complexo principal em Auschwitz.

Não quero negar o Holocausto, longe de mim, apenas julguei demais a atitude dos países europeus, por terem saído da sala logo que Ahmadinejad começou a falar e Israel reagiu como uma dama magoada. Por isso, o estimado leitor que faça o seu julgamento, o que eu sei é que quando discordamos de alguém, discutimos com ele com argumentos válidos e o não deixamos falar sozinho. Se este ter sido o paradígma de Durban II, então não podemos esperar muito sucesso do mesmo!

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