Estado Palestiniano: A Mensagem do Papa e a Solução dos 57 Estados

“A Santa Sé apóia o direito do seu povo a um território palestino soberano na terra de seus antepassados, em paz com seus vizinhos e dentro de fronteiras reconhecidas internacionalmente”, disse o pontífice durante uma conferência de imprensa na casa do presidente palestiniano, Mahmoud Abbas
Quando me tornei estudante do já falecido Dr. Carlos Tembe, a quem me permito homenagear pela valiosa contribuição para o meu pensar, na disciplina de História Diplomática e Política do Médio Oriente, no Instituto Superior de Relações Internacionais, acreditava que estudar o Médio Oriente era ‘apenas’ entender o conflito israelo-palestiniano. Contudo, o saudoso autarca nos guiou a pensar e a ver aquela região, que alguns consideram como a placa giratória do mundo, como algo complexo com uma amálgama de civilizações, etnias, raças, religiões e ideologias. Esta situação, como todos sabemos, propiciou e continua a propociar uma ausência da paz na região. Porém, muitas vezes revesito o meu pensar anterior a era ‘Tembiana’ e acabo concluíndo que resolvendo o conflito israelo-palestiniano, muitos dos problemas ficaríam com portas escancaradas para a sua solução. Refiro-me, por exemplo, a reivendicação dos grupos de resistência e pró-libertação da Palestina da ocupação israelita como a Jihad Islâmica ou as Brigadas Ezzedin al-Qassam que sempre afirmaram que as suas armas se errigem para procurar pôr fim ao estado lamentável em que a maioria dos palestinianos vive. Poderia suavizar as políticas do Hizb-Allah no Líbano e norte de Israel e do Hamas no sul, propiciando uma melhor segurança para o estado judeu. Por outro lado, poderia remover uma das principais reivendicações dos chamados grupos terroristas como al-Qaeda que vêm a ausência de solução para o conflito israelo-palestiniano como catalizador para as suas acções. Em uma outra perspectiva, poderia melhorar as relações diplomáticas, políticas e económicas entre Israel e os seus vizinhos árabes e talvez remover a ameaça nuclear do Irão.
Deste modo, a mensagem papal durante a sua pregrinação aos lugares santos das religiões abrahámicas, i.e. Judaismo, Cristianismo e Islam, vem reforçar a minha crença que, pelo menos, o século XXI vai testemunhar um estado palestiniano viável e sustentável. Aliás, o Papa Bento XVI pediu a criação de um Estado palestiniano assim que chegou a Israel, no quarto dia da sua viagem ao Médio Oriente, embora não tenha pronunciado a palavra ‘Estado’, preferindo dizer ‘Pátria’: “Peço aos responsáveis que explorem todas as vias possíveis na busca de uma resolução justa para essas dificuldades, para que ambos os povos (palestinos e israelenses) possam viver em paz em uma terra natal própria, com seguras e reconhecidas fronteiras”. O pontífice ainda defendeu o retomar, o mais urgente possível, das negociações de paz entre os israelitas e palestinianos: “As esperanças de incontáveis homens, mulheres e crianças em relação a um futuro estável e seguro dependem do resultado das negociações de paz”, e que para isso os palestinianos deveriam resistir “à tentação de lançar mão de atos de violência”. Contudo, me parece que este pedido para que os palestinianos desistam da violência deve ser ainda mais veemente em relação aos israelitas que disproporcionalmente usam e abusam da violência para infligir dor e espalhar luto entre o povo mártir da Palestina, como ficou provado na recente guerra de 22 dias em Gaza.
Quando me tornei estudante do já falecido Dr. Carlos Tembe, a quem me permito homenagear pela valiosa contribuição para o meu pensar, na disciplina de História Diplomática e Política do Médio Oriente, no Instituto Superior de Relações Internacionais, acreditava que estudar o Médio Oriente era ‘apenas’ entender o conflito israelo-palestiniano. Contudo, o saudoso autarca nos guiou a pensar e a ver aquela região, que alguns consideram como a placa giratória do mundo, como algo complexo com uma amálgama de civilizações, etnias, raças, religiões e ideologias. Esta situação, como todos sabemos, propiciou e continua a propociar uma ausência da paz na região. Porém, muitas vezes revesito o meu pensar anterior a era ‘Tembiana’ e acabo concluíndo que resolvendo o conflito israelo-palestiniano, muitos dos problemas ficaríam com portas escancaradas para a sua solução. Refiro-me, por exemplo, a reivendicação dos grupos de resistência e pró-libertação da Palestina da ocupação israelita como a Jihad Islâmica ou as Brigadas Ezzedin al-Qassam que sempre afirmaram que as suas armas se errigem para procurar pôr fim ao estado lamentável em que a maioria dos palestinianos vive. Poderia suavizar as políticas do Hizb-Allah no Líbano e norte de Israel e do Hamas no sul, propiciando uma melhor segurança para o estado judeu. Por outro lado, poderia remover uma das principais reivendicações dos chamados grupos terroristas como al-Qaeda que vêm a ausência de solução para o conflito israelo-palestiniano como catalizador para as suas acções. Em uma outra perspectiva, poderia melhorar as relações diplomáticas, políticas e económicas entre Israel e os seus vizinhos árabes e talvez remover a ameaça nuclear do Irão.
Deste modo, a mensagem papal durante a sua pregrinação aos lugares santos das religiões abrahámicas, i.e. Judaismo, Cristianismo e Islam, vem reforçar a minha crença que, pelo menos, o século XXI vai testemunhar um estado palestiniano viável e sustentável. Aliás, o Papa Bento XVI pediu a criação de um Estado palestiniano assim que chegou a Israel, no quarto dia da sua viagem ao Médio Oriente, embora não tenha pronunciado a palavra ‘Estado’, preferindo dizer ‘Pátria’: “Peço aos responsáveis que explorem todas as vias possíveis na busca de uma resolução justa para essas dificuldades, para que ambos os povos (palestinos e israelenses) possam viver em paz em uma terra natal própria, com seguras e reconhecidas fronteiras”. O pontífice ainda defendeu o retomar, o mais urgente possível, das negociações de paz entre os israelitas e palestinianos: “As esperanças de incontáveis homens, mulheres e crianças em relação a um futuro estável e seguro dependem do resultado das negociações de paz”, e que para isso os palestinianos deveriam resistir “à tentação de lançar mão de atos de violência”. Contudo, me parece que este pedido para que os palestinianos desistam da violência deve ser ainda mais veemente em relação aos israelitas que disproporcionalmente usam e abusam da violência para infligir dor e espalhar luto entre o povo mártir da Palestina, como ficou provado na recente guerra de 22 dias em Gaza.
Em um outro desenvolvimento, Presidente Barack Obama anunciou que vai cumprir o prometido: fazer um discurso para um melhor relacionamento com o mundo muçulmano e o mesmo terá lugar no Egipto no próximo dia 04 de Junho. Estou muito atento à este discurso que, entre outras coisas, pode anuncuar o que o Rei Abdullah, da Jordânia, afirmou em uma entrevista ao “Times”. Ele disse que que está a participar na preparação do novo plano norte-americano para a solução do conflito israelo-palestiniano, voltando a sublinhar o papel essencial dos EUA no processo porque “Se não houver sinais claros nem directivas claras para todos nós, haverá o sentimento de que esta é apenas mais um governo americano que nos vai desiludir a todos”. E alertou: “Se atrasarmos as negociações de paz, vai haver um novo conflito entre árabes ou muçulmanos e Israel nos próximos 12 a 18 meses.” Para o Rei se a solução de dois estados – que os actuais dirigentes israelitas não apoiam – for adiada e se não houver uma indicação americana clara do que vai acontecer este ano, a “enorme credibilidade” de que Obama goza nos EUA vai desaparecer rapidamente.
No fundo, este novo plano prevê mais do que apenas um estado palestiniano: a solução de dois estados passa a ser uma “solução de 57 estados”, disse o rei da Jordânia, pois “Não se trata se sentar à mesa israelitas e palestinianos, mas israelitas com palestinianos, israelitas com sírios, israelitas com libaneses”. Abdullah declaraou que “Estamos a oferecer-lhes um terço do mundo, que os receberá de braços abertos”, dado que “O futuro não é o rio Jordão ou o Sinai, o futuro é Marrocos no Atlântico ou a Indonésia no Pacífico. Esse é o prémio”, concluiu o monarca. Um acordo deste género começaria, segundo o “Times”, por oferecer a possibilidade de pessoas com visto para entrada em Israel entrarem em todos os países árabes, o direito da companhia israelita El Al voar sobre território árabe, e eventualmente o reconhecimento de Israel por todos os membros da Organização da Conferência Islâmica que são ao todo 57, incluindo Moçambique que é membro desde 1994.
No fundo, este novo plano prevê mais do que apenas um estado palestiniano: a solução de dois estados passa a ser uma “solução de 57 estados”, disse o rei da Jordânia, pois “Não se trata se sentar à mesa israelitas e palestinianos, mas israelitas com palestinianos, israelitas com sírios, israelitas com libaneses”. Abdullah declaraou que “Estamos a oferecer-lhes um terço do mundo, que os receberá de braços abertos”, dado que “O futuro não é o rio Jordão ou o Sinai, o futuro é Marrocos no Atlântico ou a Indonésia no Pacífico. Esse é o prémio”, concluiu o monarca. Um acordo deste género começaria, segundo o “Times”, por oferecer a possibilidade de pessoas com visto para entrada em Israel entrarem em todos os países árabes, o direito da companhia israelita El Al voar sobre território árabe, e eventualmente o reconhecimento de Israel por todos os membros da Organização da Conferência Islâmica que são ao todo 57, incluindo Moçambique que é membro desde 1994.
Se a semana estava a correr bem aos palestinianos, pelo menos no plano internacional, já que a nível nacional subsistem os problemas para se encontrar um final feliz para o diferendo opondo o Hamas e a Fatah que ainda continuam a dialogar em Cairo para formar um Governo de Unidade. E a própria Fatah se encontra um pouco dividida dado que as negociações internas para eleger um novo primeiro-ministro, Salem al Fayad, falharam porque há uma corrente que defende uma espera pelos resultados de Cairo para poder se avançar em um caminho que seja acordado por todas as facções.
Contudo, importa referir que, internacionalment, a situação caminha sobre rodas dado que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) reafirmou esta quarta-feira em Nova York, por unanimidade, a urgência de se chegar a uma paz global no Médio Oriente, com uma solução que inclui duas pátrias. A petição, apresentada pelo governo da Rússia, que preside o Conselho este mês, renovou o apelo a “uma paz integral, justa e duradoura no Médio Oriente, baseada na visão de uma região onde dois estados democráticos, Israel e Palestina, vivam lado a lado e em paz dentro de fronteiras seguras e reconhecidas”. No debate, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a Israel que mude sua política de construção de assentamentos nos territórios ocupados criando condições favoráveis à paz.
Contudo, importa referir que, internacionalment, a situação caminha sobre rodas dado que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) reafirmou esta quarta-feira em Nova York, por unanimidade, a urgência de se chegar a uma paz global no Médio Oriente, com uma solução que inclui duas pátrias. A petição, apresentada pelo governo da Rússia, que preside o Conselho este mês, renovou o apelo a “uma paz integral, justa e duradoura no Médio Oriente, baseada na visão de uma região onde dois estados democráticos, Israel e Palestina, vivam lado a lado e em paz dentro de fronteiras seguras e reconhecidas”. No debate, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a Israel que mude sua política de construção de assentamentos nos territórios ocupados criando condições favoráveis à paz.
Portanto, se o Papa, o Rei Abdullah, o Presidente Barack Obama, e a ONU estão empenhados em resolver o conflito israelo-palestiniano, os amantes da paz, como eu, só se podem encher de esperança dado que a convergência parece instalar-se nas mentes dos decisores mundiais. Até o Irão ‘ajudou’ ao libertar a jornalista que era acusada de espionagem porque o episódio, em si, minava a procura de uma aproximação de todos os desavindos no Médio Oriente, principalmente depois de o Presidente Obama ter estendido a mão aos iranianos, ou seja, estes ao resolverem o assunto da Roxana Saberi, evitaram uma pedra no sapato de Obama quando descursar no Egipto (a cidade ainda não foi escolhida) a 04 de Junho em um instante que se pode revelar crucial para as relações entre os Estados Unidos da América e o Mundo Muçulmano com um enorme ganho para a questão palestiniana!
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