Mississipi: Somos Mais do que Um Rio!

“Quando uma sociedade se encontra preparada para matar uma criança [ou inocentes], essa sociedade já colapsou”.Reverendo Ed King, activista dos direitos civis
“Não quero ter ao meu redor pessoas que saibam menos do que eu”. John Perkins, Fundador da Foundation for Reconciliation & Development
Desde muito novo que quando oiço o substantivo ‘Jackson’, me vem a cabeça o ‘Rei da Pop’, o recém falecido Michael Jackson e jamais me passara pela cabeça que existisse uma cidade que fosse capital de um estado. Neste caso refiro-me ao estado de Mississipi, mas, curiosamente, essa capital recebeu o nome de uma pessoa: Andrew Jackson, o sétimo presidente dos Estados Unidos da América (1829-1837) que nasceu neste estado. Este fez fortuna no mercado da escravatura, algo que não chocou os americanos na altura que procuravam elegê-lo, mas sim o facto de ele ter estado casado com duas mulheres diferentes. Aliás, a moral americana para julgar estes casos parece que evoluiu para uma outra direcção dado que no recente caso do Governador da Carolina do Sul, Mark Sanford, que desapareceu durante uma semana para visitar a sua amante na Argentina. Em uma conversa com um Senador do Senado do Mississipi, Hillman Frezier, fiquei a saber que Sanford não foi condenado pela opinião pública pelo escândalo e sua situação como Governador manteve-se, a não ser que tivesse usado dinheiros do errário público para fazer a citada viagem e não pelo facto de ter deixado o Estado à mercê de uma catástrofe porque se algo acontecesse e se necessitasse uma medida de emergência, nada poderia ser feito sem a sua assinatura. Este é o sistema político estadual americano, uma realidade que ajuda a continuar o relato do que tenho aprendido sobre os EUA.
Entretanto, deixei Washington DC no dia 25 de Julho rumo à Jackson, uma das mais pobres das entre 50 capitais estaduais americanas. Continuaram a viajar comigo três grandes assuntos: i) a reforma do sistema de saúde proposto por Obama, ii) a prisão do Professor Gates e iii) a confirmação da Senhora Sottomayor como Presidente do Tribunal Supremo Federal. Do primeiro caso não me debruçarei porque a procissão ainda vai ao adro. Já a prisão do Prof Henry Louis Gates Jr. veio redespertar um velho debate: a questão racial que é de demasiada sensibilidade para os americanos. O que aconteceu foi que um homem negro foi preso por um polícia branco por, supostamente, ter invadido uma propriedade alheia. Contudo, o citado ‘arruaceiro’ é um renomado professor da não mais renomada Universidade de Harvard e amigo do actual inquilino da Casa Branca que para apimentar o debate disse que o Sargento James Crowley tinha “agido stupidamente”, considerando que o Prof Gates tinha se esquecido das chaves da casa que é sua e que era acusado de a estar a invadir. Como se pode imaginar, com a intervenção do Presidente Obama, se o assunto já era sério, se tornou serríssimo, abrindo noticiários, ocupando largos espaços nos vários jornais e ‘obrigando’ o presidente a convidar os dois envolvidos para um jantar na sua residência oficial, nesta quinta-feira (30 de Julho) para encerrar o assunto. Contudo, não vos falarei do célebre jantar onde até se discutem na imprensa as marcas de cerveja que se seríam servidas porque na altura em que o mesmo acontecer, O País já estará na rua...as sete horas de separação não ajudam!
No assunto que se relaciona com a senhora Sottomayor, lá ela foi confirmada apenas no dia 29 de Julho depois de Presidente Obama a ter nomeado no dia 26 de Maio passado, isto porque a nomeações presidenciais para o Tribunal Supremo, os vários ministérios (denominados de Departamentos) e os embaixadores necessitarem de confirmação do Senado Federal. Ela torna-se na 111ª Presidente do Tribunal Supremo, a primeira de origem hispánica e a terceira mulher a ocupar tão importante cargo, dado que é vitalício e se sai do mesmo apenas por morte, reforma ou demissão e não tem nada a ver com as legislaturas e a constituição americana é omissa no critério de a pessoa ser necessariamente um juiz para se tornar presidente do Tribunal Supremo.
Em Jackson, encontrei um tipo diferente de americanos, mais solidários, mais hospitaleiros e receptivos aos estrangeiros que visitam o estado de Mississipi que tem uma população de aproxidamente três milhões e se dizem SEREM MAIS DO QUE UM RIO, em referência ao rio com o mesmo nome, o segundo maior dos EUA com uma distância de 3730 km e nos dão as boas-vindas ao “lugar onde nasceu a música americana”. Como sinal dessa hospitalidade, no domingo passado, fomos convidados à assistir à uma missa na First Baptist Church (me desculpem por não saber qual é a designação em português) no condado de Crystal Springs. Foi a primeira vez que entrei em uma casa de Deus de inclinação cristã, pois já estive em uma sinagoga, curiosamente, também nos EUA quando em 2003 visitei Nova Iorque. O reverendo da citada igreja, um chefe de família, dirigiu uma belíssima missa entrecortada com música gospel. Falou da sinceridade na oração que é melhor quando feito em privado, na intenção de agradar a Deus obedecendo os seus comandos por forma a nos prepararmos para a vida eterna. Dei comigo ali no meio da igreja a pensar na frase do Rei da Abissínia, Negus, no filme ‘A Mensagem’ quando depois de o Profeta Muhammad ter ordenado os seus companheiros que estavam sendo perseguidos em Makkah a fazerem a primeira emigração para uma terra onde existia um rei justo que os iria proteger e este os disse, desenhando uma linha de separação no chão, que a diferença entre eles (cristãos) e os muçulmanos era do tamanho da tal linha desenhada no chão. Depois da missa, fomos convidados à um ‘social’ em um rancho de uma senhora da congregação que teve o cuidado de cozinhar comida vegetariana, um gesto de enorme nobreza e hospitalidade.
Voltando à história de Mississipi, na segunda-feira passada tive a oportunidade de ouvir dois ‘fazedores’ de história deste estado: Reverendo Ed King (Activista pelos Direitos Civis) e Senador Hillman Frezier (de origem africana e que foi o obreiro para que a escravatura fosse oficialmente abolida em Mississipi pois só em Fevereiro de 1995 foi ratificada a emenda 13 da constituição americana que em 1865 aboliu a escravatura).
Reverendo Ed King falou do Movimento dos Direitos Civis (MDC) que ajudou a fundar em Mississipi, juntando-se mais tarde ao lendário Martin Luther King Jr. Ele falou, entre outras coisas, que os primeiros presidentes dos EUA sabiam que a escravatura era errada, mas não tinham novas ideias para implementar um novo sistema económico e a ocupação de 1/3 do México em 1846 teve a ver com a escravatura, essencial para a sobrivência dos EUA. Aliás, os apetites expansionistas eram grandes nesta altura dado que Mississipi sugeriu que os EUA deviam se expandir à sul para anexarem a Cuba, as Honduras e a Nicarágua. Talvez isto explique, na opinião de King, o dossier cubano, a instabilidade nas Honduras e a contínua ingerência nos assuntos internos da Nicarágua antes e depois da Guerra Fria.
Para a terça-feira estava reservada uma viagem ao estado vizinho de Luisiana, mais precisamente à cidade que o furacão Katrina ‘arrasou’ em 2005: Nova Orleãs. Foram três horas de várias milhas (aqui usa-se esta medição de distância em vez de kilometragem) de estrada. Geralmente os carros têm uma placa de matrícula que se encontra na parte traseira, porque, os americanos justificam, quando a polícia persegue um carro suspeito, se encontra na parte traseira e placa que aqui está identifica o proprietário do veículo e também porque baixa os custos já que uma placa chega a custar entre os 50 à 100 dólares. Nova Orleãs tem um sistema educacional em crise dado que a quantidade de expulsões consegue, em alguns casos, superar o número de graduados, o que aumenta o crime entre os adolescentes e Luisiana é o estado com mais estabelecimentos prisionais para esta faixa etária. A segurança nas escolas é comparada aos check-points israelitas nos territórios palestinianos e muitas vezes os seguranças são mais novos que os estudantes e crianças de 5 anos são revistados como se de criminosos se tratassem, o que deixa marcas psicológicas profundas na sociedade que é maioritariamente negra. Visitei as áreas devastadas e vi os esforços de reconstrução para além de ter almoçada à beira do famoso Rio Missipi.
O programa a sul dos EUA terminou a 30 quando partímos para Detroit (Michigan). No dia anterior, tive um dos momentos de maior inspiração nesta visita, a conversa com Dr. Jerry Perkins, disse tanta coisa que precisaria de mais espaço, mas, por exemplo, enderençando uma questão que lhe fizera em relação à reconciliação entre diferentes religiões, ele disse que essa só será conseguida quando tivermos o cuidado de aprender quem é o ‘outro’, engajando em um sincero diálogo e não escolhendo-o, nas suas escostas, como a próxima ‘vítima’ a ser odiada. No fundo, como ele diz, as religiões se reconciliarão no dia em devolverem Deus ao seu lugar merecido, dado que hoje Ele foi tornado pequeno o que aumenta a injustiça porque as pessoas não são religiosas o suficientes para poderem ser justas e solidárias para com o ‘outro’.
Em Jackson, a minha viagem inter-religiosa e inter-civilizacional terminou no Museu Internacional de Culturas Muçulmanas, o primeiro do gênero nos EUA e que foi curiosamente inaugurado em 2001 (Abril), o ano que re-despertou a necessidade de diálogo de civilizações. Neste museu, entre outras coisas, aprendi que uma pesquisadora americana, Sylviane Diouf, apresentou uma tese na Universidade de Harvard em que ela defendeu que a música blues pode ter suas raízes no azan (chamamento para a oração dos muçulmanos) e na forma como os muçulmanos recitam o al-curan. Isto porque, como se sabe, o blues nasceu em Mississipi para onde foram enviados muitos escravos oriúndos da África que já era muçulmana, como seja o caso de Timbuctu, em Mali, lugar que conheceu um grande desenvolvimento do conhecimento islâmico. Sentirei saudades de ouvir blues ao vivo e o melhor lugar para fazer isso em Jackson é em Hall & Malls porque, como se sabe, Jackson sempre significará música para ouvido.
Escrito em Jackson, Estado de Mississipi,
“Não quero ter ao meu redor pessoas que saibam menos do que eu”. John Perkins, Fundador da Foundation for Reconciliation & Development
Desde muito novo que quando oiço o substantivo ‘Jackson’, me vem a cabeça o ‘Rei da Pop’, o recém falecido Michael Jackson e jamais me passara pela cabeça que existisse uma cidade que fosse capital de um estado. Neste caso refiro-me ao estado de Mississipi, mas, curiosamente, essa capital recebeu o nome de uma pessoa: Andrew Jackson, o sétimo presidente dos Estados Unidos da América (1829-1837) que nasceu neste estado. Este fez fortuna no mercado da escravatura, algo que não chocou os americanos na altura que procuravam elegê-lo, mas sim o facto de ele ter estado casado com duas mulheres diferentes. Aliás, a moral americana para julgar estes casos parece que evoluiu para uma outra direcção dado que no recente caso do Governador da Carolina do Sul, Mark Sanford, que desapareceu durante uma semana para visitar a sua amante na Argentina. Em uma conversa com um Senador do Senado do Mississipi, Hillman Frezier, fiquei a saber que Sanford não foi condenado pela opinião pública pelo escândalo e sua situação como Governador manteve-se, a não ser que tivesse usado dinheiros do errário público para fazer a citada viagem e não pelo facto de ter deixado o Estado à mercê de uma catástrofe porque se algo acontecesse e se necessitasse uma medida de emergência, nada poderia ser feito sem a sua assinatura. Este é o sistema político estadual americano, uma realidade que ajuda a continuar o relato do que tenho aprendido sobre os EUA.
Entretanto, deixei Washington DC no dia 25 de Julho rumo à Jackson, uma das mais pobres das entre 50 capitais estaduais americanas. Continuaram a viajar comigo três grandes assuntos: i) a reforma do sistema de saúde proposto por Obama, ii) a prisão do Professor Gates e iii) a confirmação da Senhora Sottomayor como Presidente do Tribunal Supremo Federal. Do primeiro caso não me debruçarei porque a procissão ainda vai ao adro. Já a prisão do Prof Henry Louis Gates Jr. veio redespertar um velho debate: a questão racial que é de demasiada sensibilidade para os americanos. O que aconteceu foi que um homem negro foi preso por um polícia branco por, supostamente, ter invadido uma propriedade alheia. Contudo, o citado ‘arruaceiro’ é um renomado professor da não mais renomada Universidade de Harvard e amigo do actual inquilino da Casa Branca que para apimentar o debate disse que o Sargento James Crowley tinha “agido stupidamente”, considerando que o Prof Gates tinha se esquecido das chaves da casa que é sua e que era acusado de a estar a invadir. Como se pode imaginar, com a intervenção do Presidente Obama, se o assunto já era sério, se tornou serríssimo, abrindo noticiários, ocupando largos espaços nos vários jornais e ‘obrigando’ o presidente a convidar os dois envolvidos para um jantar na sua residência oficial, nesta quinta-feira (30 de Julho) para encerrar o assunto. Contudo, não vos falarei do célebre jantar onde até se discutem na imprensa as marcas de cerveja que se seríam servidas porque na altura em que o mesmo acontecer, O País já estará na rua...as sete horas de separação não ajudam!
No assunto que se relaciona com a senhora Sottomayor, lá ela foi confirmada apenas no dia 29 de Julho depois de Presidente Obama a ter nomeado no dia 26 de Maio passado, isto porque a nomeações presidenciais para o Tribunal Supremo, os vários ministérios (denominados de Departamentos) e os embaixadores necessitarem de confirmação do Senado Federal. Ela torna-se na 111ª Presidente do Tribunal Supremo, a primeira de origem hispánica e a terceira mulher a ocupar tão importante cargo, dado que é vitalício e se sai do mesmo apenas por morte, reforma ou demissão e não tem nada a ver com as legislaturas e a constituição americana é omissa no critério de a pessoa ser necessariamente um juiz para se tornar presidente do Tribunal Supremo.
Em Jackson, encontrei um tipo diferente de americanos, mais solidários, mais hospitaleiros e receptivos aos estrangeiros que visitam o estado de Mississipi que tem uma população de aproxidamente três milhões e se dizem SEREM MAIS DO QUE UM RIO, em referência ao rio com o mesmo nome, o segundo maior dos EUA com uma distância de 3730 km e nos dão as boas-vindas ao “lugar onde nasceu a música americana”. Como sinal dessa hospitalidade, no domingo passado, fomos convidados à assistir à uma missa na First Baptist Church (me desculpem por não saber qual é a designação em português) no condado de Crystal Springs. Foi a primeira vez que entrei em uma casa de Deus de inclinação cristã, pois já estive em uma sinagoga, curiosamente, também nos EUA quando em 2003 visitei Nova Iorque. O reverendo da citada igreja, um chefe de família, dirigiu uma belíssima missa entrecortada com música gospel. Falou da sinceridade na oração que é melhor quando feito em privado, na intenção de agradar a Deus obedecendo os seus comandos por forma a nos prepararmos para a vida eterna. Dei comigo ali no meio da igreja a pensar na frase do Rei da Abissínia, Negus, no filme ‘A Mensagem’ quando depois de o Profeta Muhammad ter ordenado os seus companheiros que estavam sendo perseguidos em Makkah a fazerem a primeira emigração para uma terra onde existia um rei justo que os iria proteger e este os disse, desenhando uma linha de separação no chão, que a diferença entre eles (cristãos) e os muçulmanos era do tamanho da tal linha desenhada no chão. Depois da missa, fomos convidados à um ‘social’ em um rancho de uma senhora da congregação que teve o cuidado de cozinhar comida vegetariana, um gesto de enorme nobreza e hospitalidade.
Voltando à história de Mississipi, na segunda-feira passada tive a oportunidade de ouvir dois ‘fazedores’ de história deste estado: Reverendo Ed King (Activista pelos Direitos Civis) e Senador Hillman Frezier (de origem africana e que foi o obreiro para que a escravatura fosse oficialmente abolida em Mississipi pois só em Fevereiro de 1995 foi ratificada a emenda 13 da constituição americana que em 1865 aboliu a escravatura).
Reverendo Ed King falou do Movimento dos Direitos Civis (MDC) que ajudou a fundar em Mississipi, juntando-se mais tarde ao lendário Martin Luther King Jr. Ele falou, entre outras coisas, que os primeiros presidentes dos EUA sabiam que a escravatura era errada, mas não tinham novas ideias para implementar um novo sistema económico e a ocupação de 1/3 do México em 1846 teve a ver com a escravatura, essencial para a sobrivência dos EUA. Aliás, os apetites expansionistas eram grandes nesta altura dado que Mississipi sugeriu que os EUA deviam se expandir à sul para anexarem a Cuba, as Honduras e a Nicarágua. Talvez isto explique, na opinião de King, o dossier cubano, a instabilidade nas Honduras e a contínua ingerência nos assuntos internos da Nicarágua antes e depois da Guerra Fria.
Para a terça-feira estava reservada uma viagem ao estado vizinho de Luisiana, mais precisamente à cidade que o furacão Katrina ‘arrasou’ em 2005: Nova Orleãs. Foram três horas de várias milhas (aqui usa-se esta medição de distância em vez de kilometragem) de estrada. Geralmente os carros têm uma placa de matrícula que se encontra na parte traseira, porque, os americanos justificam, quando a polícia persegue um carro suspeito, se encontra na parte traseira e placa que aqui está identifica o proprietário do veículo e também porque baixa os custos já que uma placa chega a custar entre os 50 à 100 dólares. Nova Orleãs tem um sistema educacional em crise dado que a quantidade de expulsões consegue, em alguns casos, superar o número de graduados, o que aumenta o crime entre os adolescentes e Luisiana é o estado com mais estabelecimentos prisionais para esta faixa etária. A segurança nas escolas é comparada aos check-points israelitas nos territórios palestinianos e muitas vezes os seguranças são mais novos que os estudantes e crianças de 5 anos são revistados como se de criminosos se tratassem, o que deixa marcas psicológicas profundas na sociedade que é maioritariamente negra. Visitei as áreas devastadas e vi os esforços de reconstrução para além de ter almoçada à beira do famoso Rio Missipi.
O programa a sul dos EUA terminou a 30 quando partímos para Detroit (Michigan). No dia anterior, tive um dos momentos de maior inspiração nesta visita, a conversa com Dr. Jerry Perkins, disse tanta coisa que precisaria de mais espaço, mas, por exemplo, enderençando uma questão que lhe fizera em relação à reconciliação entre diferentes religiões, ele disse que essa só será conseguida quando tivermos o cuidado de aprender quem é o ‘outro’, engajando em um sincero diálogo e não escolhendo-o, nas suas escostas, como a próxima ‘vítima’ a ser odiada. No fundo, como ele diz, as religiões se reconciliarão no dia em devolverem Deus ao seu lugar merecido, dado que hoje Ele foi tornado pequeno o que aumenta a injustiça porque as pessoas não são religiosas o suficientes para poderem ser justas e solidárias para com o ‘outro’.
Em Jackson, a minha viagem inter-religiosa e inter-civilizacional terminou no Museu Internacional de Culturas Muçulmanas, o primeiro do gênero nos EUA e que foi curiosamente inaugurado em 2001 (Abril), o ano que re-despertou a necessidade de diálogo de civilizações. Neste museu, entre outras coisas, aprendi que uma pesquisadora americana, Sylviane Diouf, apresentou uma tese na Universidade de Harvard em que ela defendeu que a música blues pode ter suas raízes no azan (chamamento para a oração dos muçulmanos) e na forma como os muçulmanos recitam o al-curan. Isto porque, como se sabe, o blues nasceu em Mississipi para onde foram enviados muitos escravos oriúndos da África que já era muçulmana, como seja o caso de Timbuctu, em Mali, lugar que conheceu um grande desenvolvimento do conhecimento islâmico. Sentirei saudades de ouvir blues ao vivo e o melhor lugar para fazer isso em Jackson é em Hall & Malls porque, como se sabe, Jackson sempre significará música para ouvido.
Escrito em Jackson, Estado de Mississipi,
30 de Julho de 2009.
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