A Nova Independência Iraquiana: Quando se É Soberano Apenas nas Cidades...
“É uma grande vitória para o povo iraquiano...significa o primeiro passo para a saída de todas as forças estrangeiras de nosso território. Estou convencido...de que algumas forças obscuras não desejam que cheguemos a esse dia”, Nouri al Maliki, Primeiro Ministro do Iraque.
Quando completei 16 anos a minha mãe me disse que podia sair aos sábados à noite, mas com a condição de só voltar para casa na manhã seguinte por forma a que não a indomodasse enquanto dormia e para evitar que fosse assaltado nas ruas escuras de Xipamanine. Ora, a minha ‘liberdade’ estava condicionada, se corresse o risco de ir à um lugar onde não ‘estivesse a bater’ tinha de necessariamente ficar até de manhã para ir para casa, mas não era mesmo que ficar em casa e depois ter que ouvir os meus amigos na escola na segunda-feira a falarem das suas baladas. O Iraque também já pode dizer que possui alguma soberania, já que o dia 30 de Junho passa a ser uma data histórica para o país passando a ser um feriado que consagra o ‘dia da soberania nacional’, pois é o dia em que as tropas americanas se retiraram do Iraque. Espera, há uma informação que se tem que adicionar na primeira frase e que muda muita coisa: ...se retiraram das CIDADES do Iraque. Oh, então, a ‘independência’ do Iraque se compara à minha liberdade aos 16 anos, dado que é soberano nas cidades, mas fora delas, continuam a ser os americanos a mandar, então o nome dado ao feriado não está correcto porque a soberania ainda não é NACIONAL. Contudo, esta retirada é um passo encorajador e mostra a vontade do Presidente Obama de cumprir o que prometera já que em fevereiro passado, ele anunciou uma retirada gradual de tropas de combate americanas até agosto de 2010, enquanto sua saída total deve ser concluída até 1º de janeiro de 2012. Todavia, o ‘momento histórico’ registado na terça-feira passada tinha sido acordado entre as autoridades iraquianas e o anterior presidente e tinha sido anunciada na célebre conferência de imprensa marcada pelo episódio dos sapatos que falharam o alvo e que se tornaríam no símbolo da procura de soberania por parte dos iraquianos.
As reacções vieram de muitos quadrantes, a Presidência sueca da União Europeia (UE) mostrou seu apoio à “disposição e responsabilidade” do Governo do Iraque ao assumir a segurança de suas cidades, após a completa retirada das tropas americanas. Em comunicado, foi dito que “a UE celebra a vontade e determinação do Governo do Iraque de assumir a responsabilidade pelo desenvolvimento do país, como foi demonstrado com a retirada das tropas americanas das cidades iraquianas”. Para a UE, a retirada das tropas americanas das cidades "significa uma responsabilidade maior" para as autoridades iraquianas, assim como para sua Polícia e forças de segurança. O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Mussa, divulgou uma declaração, aplaudindo a retirada das tropas militares norte-americanas do Iraque. Segundo a declaração, a retirada das tropas é um importante passo no processo de saída dos EUA do Iraque antes do fim de 2011 e para que o Iraque consiga a soberania completa. Mussa ainda disse que o exército e as tropas do Iraque podem assumir a responsabilidade sobre a segurança do país e do povo e que a Liga Árabe vai continuar oferecendo o apoio necessário aos iraquianos.
Contudo, os insurgentes também reagiram, pois no mesmo dia (30 de Junho), uma explosão de carro-bomba atingiu Kirkuk, cidade no norte do Iraque, causando a morte de pelo menos 15 pessoas e deixando 30 feridos. O que significa que ainda há actores iraquianos que não se identificam com o processo, minando frágeis conquistas obtidas pelo Executivo iraquiano no âmbito da segurança.
As televisões mostraram iraquianos celebrando com grande festa em várias cidades, com o epicentro a ser em Bagdad, embora fossem festejos a lembrar que a segurança ainda é incompleta, pois em função dos atentados registrados nos últimos dias, a segurança esteva reforçada.
Quando completei 16 anos a minha mãe me disse que podia sair aos sábados à noite, mas com a condição de só voltar para casa na manhã seguinte por forma a que não a indomodasse enquanto dormia e para evitar que fosse assaltado nas ruas escuras de Xipamanine. Ora, a minha ‘liberdade’ estava condicionada, se corresse o risco de ir à um lugar onde não ‘estivesse a bater’ tinha de necessariamente ficar até de manhã para ir para casa, mas não era mesmo que ficar em casa e depois ter que ouvir os meus amigos na escola na segunda-feira a falarem das suas baladas. O Iraque também já pode dizer que possui alguma soberania, já que o dia 30 de Junho passa a ser uma data histórica para o país passando a ser um feriado que consagra o ‘dia da soberania nacional’, pois é o dia em que as tropas americanas se retiraram do Iraque. Espera, há uma informação que se tem que adicionar na primeira frase e que muda muita coisa: ...se retiraram das CIDADES do Iraque. Oh, então, a ‘independência’ do Iraque se compara à minha liberdade aos 16 anos, dado que é soberano nas cidades, mas fora delas, continuam a ser os americanos a mandar, então o nome dado ao feriado não está correcto porque a soberania ainda não é NACIONAL. Contudo, esta retirada é um passo encorajador e mostra a vontade do Presidente Obama de cumprir o que prometera já que em fevereiro passado, ele anunciou uma retirada gradual de tropas de combate americanas até agosto de 2010, enquanto sua saída total deve ser concluída até 1º de janeiro de 2012. Todavia, o ‘momento histórico’ registado na terça-feira passada tinha sido acordado entre as autoridades iraquianas e o anterior presidente e tinha sido anunciada na célebre conferência de imprensa marcada pelo episódio dos sapatos que falharam o alvo e que se tornaríam no símbolo da procura de soberania por parte dos iraquianos.
As reacções vieram de muitos quadrantes, a Presidência sueca da União Europeia (UE) mostrou seu apoio à “disposição e responsabilidade” do Governo do Iraque ao assumir a segurança de suas cidades, após a completa retirada das tropas americanas. Em comunicado, foi dito que “a UE celebra a vontade e determinação do Governo do Iraque de assumir a responsabilidade pelo desenvolvimento do país, como foi demonstrado com a retirada das tropas americanas das cidades iraquianas”. Para a UE, a retirada das tropas americanas das cidades "significa uma responsabilidade maior" para as autoridades iraquianas, assim como para sua Polícia e forças de segurança. O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Mussa, divulgou uma declaração, aplaudindo a retirada das tropas militares norte-americanas do Iraque. Segundo a declaração, a retirada das tropas é um importante passo no processo de saída dos EUA do Iraque antes do fim de 2011 e para que o Iraque consiga a soberania completa. Mussa ainda disse que o exército e as tropas do Iraque podem assumir a responsabilidade sobre a segurança do país e do povo e que a Liga Árabe vai continuar oferecendo o apoio necessário aos iraquianos.
Contudo, os insurgentes também reagiram, pois no mesmo dia (30 de Junho), uma explosão de carro-bomba atingiu Kirkuk, cidade no norte do Iraque, causando a morte de pelo menos 15 pessoas e deixando 30 feridos. O que significa que ainda há actores iraquianos que não se identificam com o processo, minando frágeis conquistas obtidas pelo Executivo iraquiano no âmbito da segurança.
As televisões mostraram iraquianos celebrando com grande festa em várias cidades, com o epicentro a ser em Bagdad, embora fossem festejos a lembrar que a segurança ainda é incompleta, pois em função dos atentados registrados nos últimos dias, a segurança esteva reforçada.
Contudo, o que me causou uma certa estranheza foi o acto simbólico protagonizado pelo general americano Daniel Bolger, Comandante das forças de ocupação em Bagdad, quando passou simbolicamente a chave da base da 1ª Divisão de Cavalaria, as mãos do general iraquiano Abud Qambar, a última das 86 posições ocupados por forças USA na capital. Isto decorreu enquanto se içava a bandeira iraquiana a fazer lembrar o momento histórico de Moçambique no estádio da Machava a 25 de junho de 1975. Ora, digo que foi estranho porque se muitos americanos recusavam a ideia de colonização, estes momentos, quanto a mim, mostraram que o ‘colonizador’ estava trespassando a sua autoridade ao ‘colonizado’. Mas esta ‘descolonização’ segue o estilo britânico de se criar protectorados que garantam que os interesses nacionais da metrópole ficam salvaguardados. Este cenário se substancia no concurso para exploração de campos petrolíferos de Rumaila (um dos maiores campos de petróleo), Nassiriya, West Qurna, etc., terem apenas participado empresas petrolíferas que não se identificam com os Estados Unidos da América, tais como a BP (britânica), Nippon Oil Company (Japonesa), ENI (Italiana), e CNPC International Ltd (Chinesa).
No citado concurso apenas o campo de Rumaila foi adjudicado comjuntamente à petrolífera britânica e chinesa porque as outras empresas levantaram dúvidas quanto a clareza de todo o processo, dado que o governo iraquiano tinha exposto como condição a necessidade de se ser parceiro com as empresas controladas pelo estado iraquiano, partilhando a gestão dos campos de petróleo, mas financiando por completo o desenvolvimento desses campos. E é preciso lembrar que depois de nacionalização dos campos por Saddam Hussein em 1972, uma atitude que continua popular entre os iraquianos, o estado controla os mesmos e os países próximos de Iraque têm muito a ganhar com este controle, dado que têm precedência das suas companhias sobre as outras. Talvez isto explique a deposição de Saddam, a continuação das tropas americanas nas províncias iraquianas (onde se localizam os campos, pois estes não estão nas cidades) e a ausência de petrolíferas americanas no concurso do dia 30 de Junho. Para ser claro, as petrolíferas americanas têm proximidade com as empresas petrolíferas controladas pelo estado iraquiano.
Voltando a vaca fria, os 131 mil americanos que se retiraram das cidades e vilas do Iraque só voltarão a entrar em áreas urbanas se as forças de segurança iraquianas pedirem ajuda. A retirada total poderá até ser antecipada para junho de 2010, dependendo do resultado de um referendo, que acontecerá no próximo mês de julho. Com todos os problemas internos para resolver, os iraquianos têm motivo de sobra para comemorar. O país está ocupado por uma força estrangeira desde 2003. A invasão dos Estados Unidos transformou-se rapidamente em caos e guerra religiosa, antes que o exército e a polícia iraquianas, apoiados pelos EUA, retomassem o controlo sobre os rebeldes. Os números da violência chocam: mais de 100 mil civis iraquiano morreram por estarem em meio ao fogo cruzado dessa guerra.
Soldados e veículos blindados continuarão patrulhando as ruas do Iraque como nos últimos seis anos - mas, a partir de agora, as equipes de segurança serão formadas exclusivamente por efetivos iraquianos. Apenas um pequeno número de forças de treinamento e suporte americanas permanecerão nas áreas urbanas. A grande maioria das tropas, no entanto, será transferida para bases militares fora das cidades. Os líderes iraquianos expressaram confiança em sua preparação para garantir a segurança dos cerca de 30 milhões de habitantes do país, mas advertiram sobre a existência de grandes obstáculos - como a possibilidade de que insurgentes e milícias aumentem ainda mais a frequência e a violência de seus ataques.
Talvez mostrando a relevância deste acto histórico, reporta-se que a violência diminuiu significativamente desde os confrontos de 2006 e 2007. Em maio deste ano, o país registrou o menor número de mortes violentas desde o início da invasão americana, que derrubou o regime de Saddam Hussein, contudo as forças iraquianas estão em alerta por conta de eventuais ataques de insurgentes. Segundo o correspondente para assuntos de defesa e segurança da BBC, Rob Watson, embora a saída dos centros urbanos seja importante, a verdadeira retirada das forças de combate dos EUA, no ano que vem, será um desafio ainda maior. O sucesso dessa operação, segundo Watson, depende dos líderes políticos iraquianos e de sua capacidade de lidar com os grandes problemas e tensões no país. Cerca de 131 mil soldados americanos continuarão no Iraque, incluindo doze brigadas de combate. Ao menos 128 mil devem permanecer até as eleições nacionais no país, em janeiro do ano que vem.
No citado concurso apenas o campo de Rumaila foi adjudicado comjuntamente à petrolífera britânica e chinesa porque as outras empresas levantaram dúvidas quanto a clareza de todo o processo, dado que o governo iraquiano tinha exposto como condição a necessidade de se ser parceiro com as empresas controladas pelo estado iraquiano, partilhando a gestão dos campos de petróleo, mas financiando por completo o desenvolvimento desses campos. E é preciso lembrar que depois de nacionalização dos campos por Saddam Hussein em 1972, uma atitude que continua popular entre os iraquianos, o estado controla os mesmos e os países próximos de Iraque têm muito a ganhar com este controle, dado que têm precedência das suas companhias sobre as outras. Talvez isto explique a deposição de Saddam, a continuação das tropas americanas nas províncias iraquianas (onde se localizam os campos, pois estes não estão nas cidades) e a ausência de petrolíferas americanas no concurso do dia 30 de Junho. Para ser claro, as petrolíferas americanas têm proximidade com as empresas petrolíferas controladas pelo estado iraquiano.
Voltando a vaca fria, os 131 mil americanos que se retiraram das cidades e vilas do Iraque só voltarão a entrar em áreas urbanas se as forças de segurança iraquianas pedirem ajuda. A retirada total poderá até ser antecipada para junho de 2010, dependendo do resultado de um referendo, que acontecerá no próximo mês de julho. Com todos os problemas internos para resolver, os iraquianos têm motivo de sobra para comemorar. O país está ocupado por uma força estrangeira desde 2003. A invasão dos Estados Unidos transformou-se rapidamente em caos e guerra religiosa, antes que o exército e a polícia iraquianas, apoiados pelos EUA, retomassem o controlo sobre os rebeldes. Os números da violência chocam: mais de 100 mil civis iraquiano morreram por estarem em meio ao fogo cruzado dessa guerra.
Soldados e veículos blindados continuarão patrulhando as ruas do Iraque como nos últimos seis anos - mas, a partir de agora, as equipes de segurança serão formadas exclusivamente por efetivos iraquianos. Apenas um pequeno número de forças de treinamento e suporte americanas permanecerão nas áreas urbanas. A grande maioria das tropas, no entanto, será transferida para bases militares fora das cidades. Os líderes iraquianos expressaram confiança em sua preparação para garantir a segurança dos cerca de 30 milhões de habitantes do país, mas advertiram sobre a existência de grandes obstáculos - como a possibilidade de que insurgentes e milícias aumentem ainda mais a frequência e a violência de seus ataques.
Talvez mostrando a relevância deste acto histórico, reporta-se que a violência diminuiu significativamente desde os confrontos de 2006 e 2007. Em maio deste ano, o país registrou o menor número de mortes violentas desde o início da invasão americana, que derrubou o regime de Saddam Hussein, contudo as forças iraquianas estão em alerta por conta de eventuais ataques de insurgentes. Segundo o correspondente para assuntos de defesa e segurança da BBC, Rob Watson, embora a saída dos centros urbanos seja importante, a verdadeira retirada das forças de combate dos EUA, no ano que vem, será um desafio ainda maior. O sucesso dessa operação, segundo Watson, depende dos líderes políticos iraquianos e de sua capacidade de lidar com os grandes problemas e tensões no país. Cerca de 131 mil soldados americanos continuarão no Iraque, incluindo doze brigadas de combate. Ao menos 128 mil devem permanecer até as eleições nacionais no país, em janeiro do ano que vem.
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