
“O focus no conflito Israelo-Palestiniano tem criado inimigis onde os muçulmanos precisam de fazer amigos e alianças.” Mazen Asbahi, Institute for Social Policy and Understanding
“Presidente Franklin Roosevelt decretou a criação de auto-estradas inter-estaduais por forma a que os 50 estados pudessem estar ligados, possibilitando que os tanques do exército americano pudesse fazer face à um ataque russo durante a Guerra Fria”. Dr. Marjorie Sarbaugh-Thompson, Professora Associada da Universidade de Wayne
O final do dia 30 de Julho foi uma espécie de publicidade gratuíta à uma amena cavaqueira regada de cerveja, dado que as televisões americanas estavam a transmitir, em directo, a partir de um jardim onde quatro sujeitos ‘batiam um papo’ enquanto ‘bebiam um copo’ de cerveja. Naturalmente que se os mencionados sujeitos não fossem o Presidente Obama, o Vice-Presidente Biden, Prof Henry Louis Gates Jr e o Sargento James Crowley, eu teria iniciado o último artigo da séria escrita nos EUA de uma outra forma. O hilário de tudo isto tem a ver com o facto de eu ter sido ‘obrigado’ a ver o enterrar do machado de guerra racial (para melhor entendimento do assunto, queira referir-se ao meu artigo da semana passada) enquanto estava cansado e por estar fulo da vida por o voo que nos levaria de Memphis (cidade natal de Elvis Presley), Estado de Tenessee, para Detroit (Estado de Michigan) ter sido remarcado para umas quatro horas depois do inicialmente previsto. No meio de tudo isto, o aeroporto foi evacuado, por pelo menos uma hora, devido a uma ameaça de tornado. Bem, o assunto Gates-Crowley foi afogado naqueles copos de cerveja e há um humorista que dizia que o actual presidente americano tem muitas qualidades e uma delas é de ter resolvido o problema racial com um copo de cerveja.
Chegamos à cidade de Henry Ford e parecia que estava a aterrar em uma cidade de um país árabe, tal a quantidade de cidadãos americanos de descendência árabe que estão estabelecidos nesta cidade. Aliás, a relação Ford-Árabe é descrita como um factor de grande dimensão para que Detroit se tivesse tornado na cidade que mais alberga árabes fora do Médio Oriente. A história conta-se em simples palavras: quando Detroit, através de Henry Ford, se tornou pai da indústria automóvel, era preciso que se encontrasse mão-de-obra barata e essa foi encontrada no Yémen e outros países árabes. Em boa verdade, como dizia a guia do Museu Nacional Árabo-Americano, a capital de Michigan e a indústria automóvel também devem aos árabes pelo desenvolvimento que conseguiram.
Procurando entender um pouco esta cidade, pode-se dizer que Detroit é a maior cidade do Estado americano de Michigan. É a sede do condado de Wayne. A cidade situa-se entre os lagos St. Clair e Erie. A cidade propriamente dita possui 916 952 habitantes, com cerca de 4,4 milhões de habitantes em sua área metropolitana, que não abrange a cidade de Windsor, no Canadá, localizado imediatamente ao leste da cidade e do outro lado do Lago St Clair. A principal fonte de renda da cidade é a indústria automobilística. Detroit abriga as sedes da General Motors, e a sede da Ford Motor Company está localizada em Dearborn, parte da região metropolitana de Detroit. Por causa desse factor, as pessoas, geralmente, vivem fora do centro da cidade e todos conduzem grandes carros e não se fala tanto da crise, como, por exemplo, na televisão.
Para ser claro, nestas quase três semanas que tenho estado a calcorrear alguma parte dos EUA, tenho notado pessoas felizes, usando telemóveis última geração, conduzindo carros topo-de-gama e por causa do calor, o ar-condicionado está sempre ligado e os centros comerciais, das vezes que fui, estavam sempre cheios e pessoas a fazerem compras. Posto isto, perguntava aos meus colegas: crise, qual crise? Creio que há um certo exagero quanto à tão propalada crise e julgo que há uma agenda por detrás deste ‘paradigma de crise’ que, julgo eu, tem a ver com pressão a ser feita aos países produtores de petróleo a bombear o necessário, a necessidade de fortalecer o G-20 como plataforma onde a Europa e os EUA podem, em conjunto, conversar com Rússia no sentido de estabelecer uma certa ordem no sistema internacional e mostrar a mesma Rússia que o Ocidente está interessada em se engajar com ela em nome do restabelecimento da prosperidade e estabilidade económica. A Rússia é muito importante para Europa na questão da ‘guerra do gás natural’ e para os EUA na questão nuclear norte-coreana e iraniana, para além de ser um bom aliado para vencer os talibãs no Afeganistão. Contudo, há uma diferença, os Europeus querem uma Rússia activa, dado que terá que praticar a acção de continuar a fornecer o gás, enquanto que os EUA preferem que Rússia seja pacífica, ou seja, que não intervenha em nenhum dos problemas que atrás descrevi.
Voltando à Detroit, posso partilhar com o caríssimo leitor que no primeiro dia oficial, 31 de Julho, tive o privilégio de ouvir uma belíssima palestra sobre o que são os think tanks proferida por Mazen Asbahi pesquisado ligado à uma instituição think tank: the Institute for Social Policy and Understanding. Ele disse que há mais de mil (1000) instituições think tank nos EUA e que estas têm a função de definir a agenda e o escopo do discurso/debate público por forma a facultar aos académicos e outros intelectuais as necessárias ferramentas para influenciar a forma como o governo age, o que os líderes políticos devem pensar e o que a imprensa deve debater. O que percebi nestes tempos que tenho estado por estas bandas é que são estas intituições think tank que moldam a política externa dos EUA. Quando terminou a sua apresentação, Mazen nos disse que ele deve ter sido a pessoa que menos tempo trabalhou para Obama, ora ele foi nomeado a 25 de Julho de 2008 como Coordenador Nacional para os Assuntos dos Americanos Muçulmanos durante a campanha presidential das últimas eleições. Contudo, ele nem aqueceu a cadeira já que dez dias depois ele demitiu-se para ajudar Obama, dado que uma parte da comunicação social iniciou uma campanha contra ele, alegando ligações com movimentos considerado terroristas pelos EUA.
Uma boa parte da estadia em Detroit foi dedicada à aspetos culturais. Por exemplo, para além do museu que acime mencionei, visitei o do Henry Ford, onde se pod ever a evolução da indústria automóvel, aérea e férrea dos EUA. Pude estar, pela primeira vez, dentro de uma mesquita Shiita, uma das seitas que existe no Islam e que se difere de mim, Sunita (a maioria) por discordar a forma de sucessão de liderança do império muçulmano depois da morte do Profeta Muhammad (que a paz esteja com Ele). Nesta mesquita, o nosso anfitrião disse-nos que era sushi e eu perguntei-lhe se se referia ao famoso peixe cru japonês, ele respondeu dizendo que é meio sunita e meio shia dado que acredita em todos e que todos devem ser tolerantes com todos. Talvez eu comece também a ser sushi, se isso ajudar a trazer paz em Iraque, por exemplo, onde os sunitas e shiitas estão se degladiando de uma forma sangrenta.
Estas linhas foram escritas na ‘cidade que nunca dorme’, onde cheguei no passado dia 04 e no dia em que O País estiver na rua trazendo este artigo, já estarei a voar de regress à Jeddah, onde retomarei o meu olhar semanal do que se passa no Médio Oriente.
Em Nova Iorque, tive o privilégio de visitar a sede das Nações Unidas, ver de perto a Estátua da Liberdade e poder prestart homenagem aos mais de 3.000 pessoas que pereceram nos trágicos eventos do dia 11 de Setembro de 2001. No local onde estavam as torres gêmeas, há várias obras e já existem sinais de novos empreendimentos. Participei em várias reuniões, mas a que mais me marcou foi na Human Rights Watch, uma ONG que lida com os direitos humanos. Me marcou porque cimentou o orgulho de ser moçambicano, já que no Relatório 2009, o nome de Moçambique não aparece como violador dos direitos humanos, mas sim como vítima de xenophobia na vizinha ‘Terra do Rand’.
Bom, isto é um possível resumo destas três semanas em terras de ‘Tio Sam’, voltamo-nos a ver em Jeddah porque Nova Iorque significa fim de uma grande experiência de vida!
“Presidente Franklin Roosevelt decretou a criação de auto-estradas inter-estaduais por forma a que os 50 estados pudessem estar ligados, possibilitando que os tanques do exército americano pudesse fazer face à um ataque russo durante a Guerra Fria”. Dr. Marjorie Sarbaugh-Thompson, Professora Associada da Universidade de Wayne
O final do dia 30 de Julho foi uma espécie de publicidade gratuíta à uma amena cavaqueira regada de cerveja, dado que as televisões americanas estavam a transmitir, em directo, a partir de um jardim onde quatro sujeitos ‘batiam um papo’ enquanto ‘bebiam um copo’ de cerveja. Naturalmente que se os mencionados sujeitos não fossem o Presidente Obama, o Vice-Presidente Biden, Prof Henry Louis Gates Jr e o Sargento James Crowley, eu teria iniciado o último artigo da séria escrita nos EUA de uma outra forma. O hilário de tudo isto tem a ver com o facto de eu ter sido ‘obrigado’ a ver o enterrar do machado de guerra racial (para melhor entendimento do assunto, queira referir-se ao meu artigo da semana passada) enquanto estava cansado e por estar fulo da vida por o voo que nos levaria de Memphis (cidade natal de Elvis Presley), Estado de Tenessee, para Detroit (Estado de Michigan) ter sido remarcado para umas quatro horas depois do inicialmente previsto. No meio de tudo isto, o aeroporto foi evacuado, por pelo menos uma hora, devido a uma ameaça de tornado. Bem, o assunto Gates-Crowley foi afogado naqueles copos de cerveja e há um humorista que dizia que o actual presidente americano tem muitas qualidades e uma delas é de ter resolvido o problema racial com um copo de cerveja.
Chegamos à cidade de Henry Ford e parecia que estava a aterrar em uma cidade de um país árabe, tal a quantidade de cidadãos americanos de descendência árabe que estão estabelecidos nesta cidade. Aliás, a relação Ford-Árabe é descrita como um factor de grande dimensão para que Detroit se tivesse tornado na cidade que mais alberga árabes fora do Médio Oriente. A história conta-se em simples palavras: quando Detroit, através de Henry Ford, se tornou pai da indústria automóvel, era preciso que se encontrasse mão-de-obra barata e essa foi encontrada no Yémen e outros países árabes. Em boa verdade, como dizia a guia do Museu Nacional Árabo-Americano, a capital de Michigan e a indústria automóvel também devem aos árabes pelo desenvolvimento que conseguiram.
Procurando entender um pouco esta cidade, pode-se dizer que Detroit é a maior cidade do Estado americano de Michigan. É a sede do condado de Wayne. A cidade situa-se entre os lagos St. Clair e Erie. A cidade propriamente dita possui 916 952 habitantes, com cerca de 4,4 milhões de habitantes em sua área metropolitana, que não abrange a cidade de Windsor, no Canadá, localizado imediatamente ao leste da cidade e do outro lado do Lago St Clair. A principal fonte de renda da cidade é a indústria automobilística. Detroit abriga as sedes da General Motors, e a sede da Ford Motor Company está localizada em Dearborn, parte da região metropolitana de Detroit. Por causa desse factor, as pessoas, geralmente, vivem fora do centro da cidade e todos conduzem grandes carros e não se fala tanto da crise, como, por exemplo, na televisão.
Para ser claro, nestas quase três semanas que tenho estado a calcorrear alguma parte dos EUA, tenho notado pessoas felizes, usando telemóveis última geração, conduzindo carros topo-de-gama e por causa do calor, o ar-condicionado está sempre ligado e os centros comerciais, das vezes que fui, estavam sempre cheios e pessoas a fazerem compras. Posto isto, perguntava aos meus colegas: crise, qual crise? Creio que há um certo exagero quanto à tão propalada crise e julgo que há uma agenda por detrás deste ‘paradigma de crise’ que, julgo eu, tem a ver com pressão a ser feita aos países produtores de petróleo a bombear o necessário, a necessidade de fortalecer o G-20 como plataforma onde a Europa e os EUA podem, em conjunto, conversar com Rússia no sentido de estabelecer uma certa ordem no sistema internacional e mostrar a mesma Rússia que o Ocidente está interessada em se engajar com ela em nome do restabelecimento da prosperidade e estabilidade económica. A Rússia é muito importante para Europa na questão da ‘guerra do gás natural’ e para os EUA na questão nuclear norte-coreana e iraniana, para além de ser um bom aliado para vencer os talibãs no Afeganistão. Contudo, há uma diferença, os Europeus querem uma Rússia activa, dado que terá que praticar a acção de continuar a fornecer o gás, enquanto que os EUA preferem que Rússia seja pacífica, ou seja, que não intervenha em nenhum dos problemas que atrás descrevi.
Voltando à Detroit, posso partilhar com o caríssimo leitor que no primeiro dia oficial, 31 de Julho, tive o privilégio de ouvir uma belíssima palestra sobre o que são os think tanks proferida por Mazen Asbahi pesquisado ligado à uma instituição think tank: the Institute for Social Policy and Understanding. Ele disse que há mais de mil (1000) instituições think tank nos EUA e que estas têm a função de definir a agenda e o escopo do discurso/debate público por forma a facultar aos académicos e outros intelectuais as necessárias ferramentas para influenciar a forma como o governo age, o que os líderes políticos devem pensar e o que a imprensa deve debater. O que percebi nestes tempos que tenho estado por estas bandas é que são estas intituições think tank que moldam a política externa dos EUA. Quando terminou a sua apresentação, Mazen nos disse que ele deve ter sido a pessoa que menos tempo trabalhou para Obama, ora ele foi nomeado a 25 de Julho de 2008 como Coordenador Nacional para os Assuntos dos Americanos Muçulmanos durante a campanha presidential das últimas eleições. Contudo, ele nem aqueceu a cadeira já que dez dias depois ele demitiu-se para ajudar Obama, dado que uma parte da comunicação social iniciou uma campanha contra ele, alegando ligações com movimentos considerado terroristas pelos EUA.
Uma boa parte da estadia em Detroit foi dedicada à aspetos culturais. Por exemplo, para além do museu que acime mencionei, visitei o do Henry Ford, onde se pod ever a evolução da indústria automóvel, aérea e férrea dos EUA. Pude estar, pela primeira vez, dentro de uma mesquita Shiita, uma das seitas que existe no Islam e que se difere de mim, Sunita (a maioria) por discordar a forma de sucessão de liderança do império muçulmano depois da morte do Profeta Muhammad (que a paz esteja com Ele). Nesta mesquita, o nosso anfitrião disse-nos que era sushi e eu perguntei-lhe se se referia ao famoso peixe cru japonês, ele respondeu dizendo que é meio sunita e meio shia dado que acredita em todos e que todos devem ser tolerantes com todos. Talvez eu comece também a ser sushi, se isso ajudar a trazer paz em Iraque, por exemplo, onde os sunitas e shiitas estão se degladiando de uma forma sangrenta.
Estas linhas foram escritas na ‘cidade que nunca dorme’, onde cheguei no passado dia 04 e no dia em que O País estiver na rua trazendo este artigo, já estarei a voar de regress à Jeddah, onde retomarei o meu olhar semanal do que se passa no Médio Oriente.
Em Nova Iorque, tive o privilégio de visitar a sede das Nações Unidas, ver de perto a Estátua da Liberdade e poder prestart homenagem aos mais de 3.000 pessoas que pereceram nos trágicos eventos do dia 11 de Setembro de 2001. No local onde estavam as torres gêmeas, há várias obras e já existem sinais de novos empreendimentos. Participei em várias reuniões, mas a que mais me marcou foi na Human Rights Watch, uma ONG que lida com os direitos humanos. Me marcou porque cimentou o orgulho de ser moçambicano, já que no Relatório 2009, o nome de Moçambique não aparece como violador dos direitos humanos, mas sim como vítima de xenophobia na vizinha ‘Terra do Rand’.
Bom, isto é um possível resumo destas três semanas em terras de ‘Tio Sam’, voltamo-nos a ver em Jeddah porque Nova Iorque significa fim de uma grande experiência de vida!
Escrito em Nova Iorque,
06 de Agosto de 2009
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