Os Líderes das Monarquias do Golfo se Opõem à que Irão Seja Atacado
“Nós não aceitamos qualquer ação militar contra o Irão.” Vice-Primeiro Ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros do Kuwait, Sheikh Mohammad Al-Sabah[1]
Um destes dias escrevi neste espaço que as seis monarquias do Golfo Pésico, Arábia Saudita, Bahrain, Emiratos Árabes Unidos, Kuwait, Qatar, e Oman, pertenciam à um bloco regional que se chama Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). Esta semana, esta organização regional se reunião em sua 30ª Cimeira no Kuwait e, dentre os assuntos discutidos e aprovados, salienta-se a unanimidade na oposição à um possível ataque contra o Irão por parte das potências ocidentais por causa do seu programa nuclear que tanta celeuma tem causado e que já me levou a escrever alguns artigos para este espaço. Esta é uma mensagem importante, tanto para o aquele país persa, bem como para os países ocidentais, pois o Irão encontra ‘aliados’ onde pensava ter vizinhos dasavindos e o ocidente teria que repensar a sua estratégia, no caso em que a opção militar for avaliada, dado que seria muito difícil tal estratégia militar ter sucesso sem ajuda destes importantes aliados ocidentais na região do Médio Oriente.
Por outro lado, os dirigentes máximos dos estados-membros do CCG chegaram a outras resoluções importantes que o Vice-Premeiro Ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros do Kuwait, Sheikh Mohammad Sabah Al-Salem Al –Sabah, apelidou de “extraordinários e excepcionais”, e que “iriam servir os interesses dos povos da região”. Falando em uma conferência de imprensa conjunta com o Secretário-Geral do CCG, Abdulrahman Al-Attiyah, após a conclusão da cimeira nesta terça-feira (15 de Dezembro), Sheikh Mohammad, disse que os resultados da cimeira “excederam todas as expectativas” e resultaram no lançamento do projecto de que visa um sistema em que os membros do CCG possam partilhar a electricidade através de uma ligação conjunta e acordoram-se ainda os mecanismos para pôr nos carris o projecto da moeda comum. Contudo, este projecto de moeda única entre os seis não tem sido um assunto de fácil consenso, dado que os Emiratos e o Oman manifestaram a indisponibilidade para integrar a união por razões diferentes. O primeiro por não ter concordado que o banco central fosse localizado em Riyadh (capital da Arábia Saudita), dado que desejava que o mesmo se situasse em Abu Dhabi, a sua capital. Já o Oman evoca razões de interesse nacional e eu julgo que não participa por ter uma moeda forte e por considerar que a união lhe traria desvantagens em vez de benefícios.
Sobre este assunto da moeda comum do CCG, Sheikh Mohammad, disse que “o comboio tinha partido e estava nos carris certos”. Perguntado se a moeda comum iria se indexado ao cabaz das moedas mais importantes ou ao dólar americano (os países desta região tem a prática de indexar as suas moedas ao dólar americano, por exemplo, o um dólar equivale SEMPRE à 3.75 Reais sauditas), o ministro kuwaitiano dos Negócios Estrangeiros disse que havia muitos aspectos técnicos que seriam posteriormente definidos, observando que o objetivo final da moeda comum era o de estabelecer um mercado comum do Golfo capaz de proteger as economias dos Estados-Membros, ao enfrentar os desafios do futuro e as preocupações financeiras, bem como proteger o tecido económico.
Ele disse que o projeto seria dividido em duas partes - a primeira união aduaneira e, segundo a união monetária. Ele acrescentou que a unificação da moeda serviria para unificar as economias do Golfo. Sheikh Mohammad espera que os Emirados Árabes Unidos e Oman possam aderir ao acordo o mais rapidamente possível. Sheikh Mohammad disse ainda que havia uma série de procedimentos necessários para o estabelecimento da união monetária, começando com a coordenação das políticas monetária através dos bancos centrais dos países do CCG, que estão a acompanhar o projeto e controle dos mercados. Políticas económicas gerais dos Estados-membros também precisam ser coordenadas a fim de estabelecer a união monetária, explicou, acrescentando que os aspectos técnicos relacionados com este processo levariam em conta o défice do PIB (produto interno bruto), reservas monetárias, bem como do défice global e as dívidas pendentes.
Contudo, o assunto que mereceu mais cobertura por parte da imprensa local (falo mais da saudita) é o dossier nuclear iraniano. Sobre este, o porta-voz da cimeira disse que esta, em seu comunicado, saudou os esforços internacionais no sentido de alcançar uma solução pacífica e diplomática para o processo nuclear e que esperava que todas as partes relacionadas trabalhassem no sentido de eliminar as preocupações e dúvidas que giram em torno da natureza desse problema. Isso, segundo ele, traria segurança e estabilidade para a região, para além de garantir o direito da região a energia nuclear para fins pacíficos no âmbito das convenções internacionais pertinentes, e nos termos da regulamentação e controlo da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Sheikh Mohammad reiterou a rejeição do CCG de qualquer actividade militar contra o Irão, dizendo que qualquer tensão militar na região poderia reflectir-se negativamente em todos os países do CCG. Ele também disse que qualquer negociação que prejudicasse o Irão, no que diz respeito ao seu processo nuclear, não seria do interesse da região, acrescentando que os Estados-membros do CCG queriam manter um diálogo sincero com o Irão. “Instamos o Irão a cumprir com aquilo que é exigido pela AIEA e lidar positivamente com as resoluções e o direito internacional”, disse Al-Shamali. O comunicado apelou à aplicação de regulamentos da AIEA a todos os países da região, sem excepção, incluindo Israel que, como se sabe, tem um arsenal nuclear, paradoxalmente, abençoado pelos EUA e todo Ocidente, embora se deia ao luxo de nem fazer parte do Tratado de Não Proliferação Nuclear. Talvez seja por isso que o Irão se veja também no direito de merecer semelhante tratamento.
Em uma nota diferente, o ministro kuwaitiano dos Negócios Estrangeiros disse que o GCC estava enfrentando desafios econômicos e de segurança, acrescentando que esta foi a primeira vez desde a invasão do Kuwait em 1990 que os dirigentes do CCG concordaram que futuramente o ataque à um dos seis membros é um ataque a todos os seis, ou seja, o pacto de defesa foi revisto.
Nessa óptica, os líderes do Golfo reafirmaram o seu apoio para a Arábia Saudita contra qualquer tentativa de comprometer a sua segurança e soberania. No comunicado final pode se ler: “Estamos totalmente com a Arábia Saudita contra ataques lançados na sua fronteira e contra o território saudita por infiltrados armadas”, para além de “declarar apoio total para quaisquer acções Arábia Saudita tenha que tomar para defender seu território”. Os líderes também estenderam total apoio para a unidade, a segurança ea estabilidade do Iémen.
Os países do CCG também concordaram em criar uma força conjunta de intervenção rápida para enfrentar as ameaças de segurança colocada para qualquer dos Estados-membros do CCG. O Secretário-Geral do CCG, Abdul Rahman Al-Attiyah que será substituído em Março de 2011 por Muhammad Al-Mutawa, um antigo Ministro de Informação de Bahrain, disse que tal “força poderá intervir em situações semelhantes à incursão dos infiltrados iemenitas na Arábia Saudita.” Portanto, a 30ª Cimeira do CCG trouxe algumas novidades e, na minha opinião, uma enorme vontade de união que se tem afastado dos árabes desde que estes passaram a poder se governar. Convêm lembrar que esta união trará vantagens para estes dado que tendo que lidar com Irão por um lado e o Iraque por outro, a divisão apenas os prejudicaria. Talvez esta cimeira tenha ajudado a trazer ares de união para o Médio Oriente que em última instância podem contribuir positivamente para a resolução do problema palestiniano, uma pedra no sapato dos árabes e muçulmanos desde a década de 1940.
[1] Veja Arab News, edição de 16 de Dezembro de 2009 na sua primeira página ou online em: http://www.arabnews.com/?page=1§ion=0&article=129701&d=16&m=12&y=2009. Nota: O presente artigo é baseado na mesma fonte.
Um destes dias escrevi neste espaço que as seis monarquias do Golfo Pésico, Arábia Saudita, Bahrain, Emiratos Árabes Unidos, Kuwait, Qatar, e Oman, pertenciam à um bloco regional que se chama Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). Esta semana, esta organização regional se reunião em sua 30ª Cimeira no Kuwait e, dentre os assuntos discutidos e aprovados, salienta-se a unanimidade na oposição à um possível ataque contra o Irão por parte das potências ocidentais por causa do seu programa nuclear que tanta celeuma tem causado e que já me levou a escrever alguns artigos para este espaço. Esta é uma mensagem importante, tanto para o aquele país persa, bem como para os países ocidentais, pois o Irão encontra ‘aliados’ onde pensava ter vizinhos dasavindos e o ocidente teria que repensar a sua estratégia, no caso em que a opção militar for avaliada, dado que seria muito difícil tal estratégia militar ter sucesso sem ajuda destes importantes aliados ocidentais na região do Médio Oriente.
Por outro lado, os dirigentes máximos dos estados-membros do CCG chegaram a outras resoluções importantes que o Vice-Premeiro Ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros do Kuwait, Sheikh Mohammad Sabah Al-Salem Al –Sabah, apelidou de “extraordinários e excepcionais”, e que “iriam servir os interesses dos povos da região”. Falando em uma conferência de imprensa conjunta com o Secretário-Geral do CCG, Abdulrahman Al-Attiyah, após a conclusão da cimeira nesta terça-feira (15 de Dezembro), Sheikh Mohammad, disse que os resultados da cimeira “excederam todas as expectativas” e resultaram no lançamento do projecto de que visa um sistema em que os membros do CCG possam partilhar a electricidade através de uma ligação conjunta e acordoram-se ainda os mecanismos para pôr nos carris o projecto da moeda comum. Contudo, este projecto de moeda única entre os seis não tem sido um assunto de fácil consenso, dado que os Emiratos e o Oman manifestaram a indisponibilidade para integrar a união por razões diferentes. O primeiro por não ter concordado que o banco central fosse localizado em Riyadh (capital da Arábia Saudita), dado que desejava que o mesmo se situasse em Abu Dhabi, a sua capital. Já o Oman evoca razões de interesse nacional e eu julgo que não participa por ter uma moeda forte e por considerar que a união lhe traria desvantagens em vez de benefícios.
Sobre este assunto da moeda comum do CCG, Sheikh Mohammad, disse que “o comboio tinha partido e estava nos carris certos”. Perguntado se a moeda comum iria se indexado ao cabaz das moedas mais importantes ou ao dólar americano (os países desta região tem a prática de indexar as suas moedas ao dólar americano, por exemplo, o um dólar equivale SEMPRE à 3.75 Reais sauditas), o ministro kuwaitiano dos Negócios Estrangeiros disse que havia muitos aspectos técnicos que seriam posteriormente definidos, observando que o objetivo final da moeda comum era o de estabelecer um mercado comum do Golfo capaz de proteger as economias dos Estados-Membros, ao enfrentar os desafios do futuro e as preocupações financeiras, bem como proteger o tecido económico.
Ele disse que o projeto seria dividido em duas partes - a primeira união aduaneira e, segundo a união monetária. Ele acrescentou que a unificação da moeda serviria para unificar as economias do Golfo. Sheikh Mohammad espera que os Emirados Árabes Unidos e Oman possam aderir ao acordo o mais rapidamente possível. Sheikh Mohammad disse ainda que havia uma série de procedimentos necessários para o estabelecimento da união monetária, começando com a coordenação das políticas monetária através dos bancos centrais dos países do CCG, que estão a acompanhar o projeto e controle dos mercados. Políticas económicas gerais dos Estados-membros também precisam ser coordenadas a fim de estabelecer a união monetária, explicou, acrescentando que os aspectos técnicos relacionados com este processo levariam em conta o défice do PIB (produto interno bruto), reservas monetárias, bem como do défice global e as dívidas pendentes.
Contudo, o assunto que mereceu mais cobertura por parte da imprensa local (falo mais da saudita) é o dossier nuclear iraniano. Sobre este, o porta-voz da cimeira disse que esta, em seu comunicado, saudou os esforços internacionais no sentido de alcançar uma solução pacífica e diplomática para o processo nuclear e que esperava que todas as partes relacionadas trabalhassem no sentido de eliminar as preocupações e dúvidas que giram em torno da natureza desse problema. Isso, segundo ele, traria segurança e estabilidade para a região, para além de garantir o direito da região a energia nuclear para fins pacíficos no âmbito das convenções internacionais pertinentes, e nos termos da regulamentação e controlo da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Sheikh Mohammad reiterou a rejeição do CCG de qualquer actividade militar contra o Irão, dizendo que qualquer tensão militar na região poderia reflectir-se negativamente em todos os países do CCG. Ele também disse que qualquer negociação que prejudicasse o Irão, no que diz respeito ao seu processo nuclear, não seria do interesse da região, acrescentando que os Estados-membros do CCG queriam manter um diálogo sincero com o Irão. “Instamos o Irão a cumprir com aquilo que é exigido pela AIEA e lidar positivamente com as resoluções e o direito internacional”, disse Al-Shamali. O comunicado apelou à aplicação de regulamentos da AIEA a todos os países da região, sem excepção, incluindo Israel que, como se sabe, tem um arsenal nuclear, paradoxalmente, abençoado pelos EUA e todo Ocidente, embora se deia ao luxo de nem fazer parte do Tratado de Não Proliferação Nuclear. Talvez seja por isso que o Irão se veja também no direito de merecer semelhante tratamento.
Em uma nota diferente, o ministro kuwaitiano dos Negócios Estrangeiros disse que o GCC estava enfrentando desafios econômicos e de segurança, acrescentando que esta foi a primeira vez desde a invasão do Kuwait em 1990 que os dirigentes do CCG concordaram que futuramente o ataque à um dos seis membros é um ataque a todos os seis, ou seja, o pacto de defesa foi revisto.
Nessa óptica, os líderes do Golfo reafirmaram o seu apoio para a Arábia Saudita contra qualquer tentativa de comprometer a sua segurança e soberania. No comunicado final pode se ler: “Estamos totalmente com a Arábia Saudita contra ataques lançados na sua fronteira e contra o território saudita por infiltrados armadas”, para além de “declarar apoio total para quaisquer acções Arábia Saudita tenha que tomar para defender seu território”. Os líderes também estenderam total apoio para a unidade, a segurança ea estabilidade do Iémen.
Os países do CCG também concordaram em criar uma força conjunta de intervenção rápida para enfrentar as ameaças de segurança colocada para qualquer dos Estados-membros do CCG. O Secretário-Geral do CCG, Abdul Rahman Al-Attiyah que será substituído em Março de 2011 por Muhammad Al-Mutawa, um antigo Ministro de Informação de Bahrain, disse que tal “força poderá intervir em situações semelhantes à incursão dos infiltrados iemenitas na Arábia Saudita.” Portanto, a 30ª Cimeira do CCG trouxe algumas novidades e, na minha opinião, uma enorme vontade de união que se tem afastado dos árabes desde que estes passaram a poder se governar. Convêm lembrar que esta união trará vantagens para estes dado que tendo que lidar com Irão por um lado e o Iraque por outro, a divisão apenas os prejudicaria. Talvez esta cimeira tenha ajudado a trazer ares de união para o Médio Oriente que em última instância podem contribuir positivamente para a resolução do problema palestiniano, uma pedra no sapato dos árabes e muçulmanos desde a década de 1940.
[1] Veja Arab News, edição de 16 de Dezembro de 2009 na sua primeira página ou online em: http://www.arabnews.com/?page=1§ion=0&article=129701&d=16&m=12&y=2009. Nota: O presente artigo é baseado na mesma fonte.
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